sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Happy New Year!

Para todos vocês, um óptimo 2013!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Golden Globes Nominees


E os nomeados aos Globos de Ouro foram anunciados hoje. Surpresas? Talvez algumas. Ora vejamos.

Na categoria de melhor filme DRAMA, parece que o lote não foge muito da normalidade. Licoln e Zero Dark Thirty deverão compôr o par que irá disputar o troféu. Argo e Django Unchained parecem-me ser escolhas seguras por parte da HFPA, e os dois deverão figurar a lista de nomeados a Melhor Filme na próxima cerimónia dos Óscares. No lado da COMÉDIA/MUSICAL, temos um Silver Linings Playbook bem posicionado para arrebatar o pequeno globo de ouro, tendo apenas concorrência de Les Misérables. Ver o Salmon Fishing in the Yemen presente nas listas surge como a maior surpresa.

Passando às categorias dos senhores e senhoras que habitam no ecrã e que vestem a pele das personagens que tanto nos entretêem: Em DRAMA, creio que já podemos imaginar o discurso de Daniel Day-Lewis enquanto vencedor de Melhor Actor pela sua interpretação em Licoln, e se o Zero Dark Thirty conseguir manter o ritmo e mantiver a forte receção que tem vindo a receber, então a estatueta deverá ir para Jessica Chastain. Na categoria de Melhor Atriz Drama, yay for Naomi Watts!
Em COMÉDIA/MUSICAL? Creio que o duo Bradley Cooper/Jennifer Lawrence que protagonizam Silver Linings Playbook deverão ser os principais candidatos à vitória, com concorrência de Hugh Jackman e de ... ninguém, respetivamente. Jennifer Lawrence has it in the bag.

 
Não me vou extender mais sobre as restantes categorias, sendo que não me provocaram reacções muito fortes. No panorama televisivo... where the f*** is Mad Men na categoria de Melhor Série Dramática?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Holy Motors (2012, Carax)


Deu que falar no Festival de Cannes deste ano e foi afigurando-se como um dos filmes que mais antecipava. Será Holy Motors um filme que primeiro se estranha e depois entranha-se? Acho que se estranha e continua a estranhar-se, mas que em breve entranhar-se-á. De qualquer forma, é um filme bastante único nem que seja pela sua bizarra natureza.

Seguimos um dia na vida de Oscar (Denis Lavant) que, à medida que se desloca numa limousine por toda a cidade de Paris, vai cumprindo a sua agenda. Um actor que contracena fora dos palcos e longe das luzes da ribalta. Uma idosa pedinte? Check. Um artista de motion-capture? Check. Um “ser” que habita os esgotos da cidade das luzes e que rapta uma supermodelo? Check. E por aí adiante. Existirão muitos poucos papés que Oscar não consiga interpretar. E aqui, é de se tirar o chapéu à interpretação de Lavant, que incorpora de uma forma absolutamente natural todas as personagens que assume, ainda que com a ajuda de uma irrepreensível maquilhagem.

Será Holy Motors um filme que comenta o panorama fragmentado em que vivemos hoje, apesar de sermos portadores de tecnologias que cada vez mais nos aproximam? Será Holy Motors um filme que apenas retrata uma alternativa vida de um actor num futuro (não tão) distante? Será Holy Motors um filme que critica o avanço tecnológico e acusa-o de tornar a vida mundana e monótona? Qualquer que seja a interpretação que se retire do mais recente trabalho de Carax, ou mesmo que não se retire qualquer conteúdo do filme, Holy Motors vale a pena ser experienciado, por jogar em grande parte com as sensações. Isso, e porque tem chimpanzés e limousines que falam. É algo que revisitarei sem grandes dúvidas.

domingo, 25 de novembro de 2012

Skyfall (2012, Mendes)


O terceiro Bond de Daniel Craig conta com um início bombástico (créditos – muito criativos -  incluídos) que relembra o fantástico Casino Royale. No entanto, esta elevação das expectativas no início do filme prejudicam o resto do mesmo simplesmente porque a partir daí é sempre a descer.

Skyfall é relativamente magro e a sua história não é suficientemente forte para justificar uma duração que pende para as duas horas e meia. A meio do filme o interesse inicial já se tinha dissipado em grande parte e no final já não estava minimamente envolvido com o que se passava no ecrã. 

Sam Mendes já fez muito melhor, mas também, com o argumento que tinha com que trabalhar... não poderia sair dali um milagre. Apesar de tudo, Craig mantém o registo, a Dench serve o propósito e o Bardem é uma agradável introdução no universo Bond.  Skyfall tem ainda uma boa fotografia. Bom trabalho de Roger Deakins.


4.5/10.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

The Hunger Games (2012, Ross)


NOMNOMNOMNOMNOMNOMNOMNOMNOMNOMNOMNOM. Eheh.

Contextualizado num futuro distópico, The Hunger Games centra-se num evento anual (que dá o nome ao filme), resultado de uma forte rebelião que colocou uma nação à beira do colapso. Para que todos se lembrem – para todo o sempre – de todo o mal que foi causado, entidades superiores exigem que cada distrito sacrifique um jovem rapaz e uma jovem rapariga para participarem n’Os Jogos da Fome. 12 distritos. 24 participantes. Lutam até à morte até que só exista um sobrevivente, que é consagrado como o campeão dos jogos. É o preço que os distritos têm que pagar pelos danos que em tempos causaram. Estes jogos são transmitidos na televisão, em direto, pelo que garantem sempre os níveis máximos de audiência! Yay! ... yay?

Adiante. A última edição fica marcada logo no seu início, pelo acto de solidariedade de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) para com a sua irmã, Primrose. O nome de Primrose é o eleito para representar o seu distrito, mas Katniss voluntaria-se para participar nos jogos, no lugar da irmã. May the odds be ever in your favor, diz-se por aí.


O início dos jogos é consideravelmente forte, ainda que o movimento da câmara não permita o discernimento completo do massacre que ocorre. A caracterização do espaço e das personagens está bem conseguida e a Jennifer Lawrence assume a total liderança do ecrã, provando que é um dos grandes talentos a emergir na actualidade e conseguindo aliar o seu nome a um estrondoso sucesso de bilheteiras.

Mas aquele argumento? Perde toda a credibilidade nos momentos finais, em que toda a lógica e coerência são mandados por fora da janela. *SPOILER* Sim, estou a falar de toda aquela história de «Organização: eheh-o-pessoal-quer-uma-história-de-amor-então-vamos-fazer-com-que-o-casalinho-ganhe» que rapidamente passa para «Organização: bahahah-seus-donkeys-enganámo-vos-então-um-de-vocês-tem-de-morrer-para-que-os-jogos-acabem-e-só-exista-um-campeão!» que no minuto seguinte passa para «Casalinho: oh-então-vamos-os-dois-cometer-suícidio-e-assim-ninguém-ganha-e-estragamos-a-festa-toda :<» que no segundo seguinte passa para «Organização: OH-NÃO!-não previmos-algo-disto-a-acontecer...-ok-yay!-vocês-são-os-grandes-vencedores-yay!!»*/SPOILER* ... makes no sense.

Inúmeras foram as comparações feitas entre The Hunger Games e o filme de culto japonês Battle Royale, essencialmente por partilharem o mesmo conceito. São, no entanto, filmes distintos. Em Battle Royale, a abordagem ao conceito é feita de uma forma mais fria e calculista, enquanto que em The Hunger Games essa abordagem assume um carácter mais sensível e não tão brutal, glamorizando até o conceito.

No final de contas, The Hunger Games é um filme competente, mas que é arruinado por aquele final desastroso (já não me lembrava da última vez que tinha ficado tão aborrecido com um final mau).

 Katniss: "Peace out. I'mma win this shit and be rich!"

6/10.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

The Lion in Winter (1968, Harvey)


Ultimamente tenho avançado na minha watchlist, e apesar de metade já ter sido corrida, não tenho actualizado o espaço com a mesma frequência.

O Once Upon a Time in the West já foi aqui abordado e o que vem agora, The Lion in Winter, junta-se a uma vasta lista. Uma lista de filmes-que-demorei-imenso-tempo-para-pegar-neles-e-vê-los-e-não-sei-bem-porquê. Isto porque The Lion in Winter é brilhante, e não entra apenas na já mencionada lista, como também entra diretamente para a minha lista de filmes favoritos.

Tudo isto graças a dois elementos, essencialmente: (1) um argumento absolutamente delicioso, rico e mordaz, repleto de trama e intriga. É também um olhar incisivo sobre uma familía que é, mais do que nobre, completamente disfuncional; e (2) um fabuloso elenco. Um jovem Hopkins e duas das mais colossais figuras do cinema a contracenarem lado a lado, num verdadeiro choque de titãs – Peter O’Toole e Katharine Hepburn fazem o filme. Voam faíscas cada vez que os dois lendários actores partilham o écrã. Verdadeiramente explosivos.

Surpreendente é o facto de The Lion in Winter ser apenas o segundo esforço de Anthony Harvey enquanto realizador. Será que um elenco destes e um argumento do maior calibre constituem um dos maiores sonhos de um (especialmente jovem) realizador? Se eu tivesse que responder, diria que sim.

 
10/10.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Looking Back At 1991

#5
The Addams Family
Dir. Barry Sonnenfeld

#4
Terminator 2: Judgement Day
Dir. James Cameron

#3
Barton Fink
Dirs. Joel and Ethan Coen

#2
Delicatessen
Dir. Jean-Pierre Jeunet & Marc Caro

#1
The Silence of the Lambs
Dir. Jonathan Demme

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

C'era una volta il West (1968, Leone)


Sergio Leone por detrás da câmara. Um enorme Ennio Morricone assina a banda sonora. Henry Fonda, Claudia Cardinale, Jason Robards e Charles Bronson dão o rosto às personagens principais deste épico de 1968.

O incrível início serve para marcar o ritmo de C’era una volta il West. Poucas são as palavras que são ditas mas o clima de acutilante tensão faz-se sentir durante a chegada do comboio. Estes primeiros 15/20 minutos do filme são, provavelmente, dos melhores minutos de cinema que já tive a felicidade de ver. Fucking epic.

O desenrolar da narrativa é um prazer de se ver. É um filme que demora o seu tempo. Sem pressas para forçar qualquer acontecimento. Dá espaço às personagens para se desenvolverem. É um filme que despertou o meu interesse para os Westerns. E é um filme com o Henry Fonda... a fazer de vilão! DE VILÃO! Quão awesome é isso? Muito!

C’era una volta il West é um filme que terei todo o gosto em revisitar. Algo me diz que a minha admiração por ele apenas irá aumentar com o passar do tempo. Fantástico.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Product Placement e a intenção de compra (3)


Voltando ao tema do product placement (última vez abordado aqui), hoje falo-vos dos vários tipos de placements que existem.

Classic Placement Este tipo de exposição é o mais antigo e a mais comum forma de placement que se conhece e existe desde que o próprio conceito de product placement surgiu pela primeira vez. A sua abordagem é muito mais técnica do que estratégica dado que consiste simplesmente em fazer com que um produto/marca surja no écrã. 

Corporate Placement – Neste formato de placement, a marca assume uma relevância superior aos respectivos produtos.  É mais simples incorporar uma marca num determinado shot do que um produto específico.
Um exemplo desta prática pode ser encontrado no filme Minority Report (2002, Steven Spielberg): Neste futurístico thriller, placards publicitários da Reebok, Pepsi e Aquafina – entre muitos outros – podem ser avistados durante o filme, mas o espectador não vê efectivamente nenhum produto das marcas previamente mencionadas.

Evocative PlacementEsta forma de placement assume um caracter muito mais subtil do que as anteriores uma vez que não é necessário que a marca surja no écrã, ou que seja mencionada. Neste cenário, a originalidade e o próprio design do produto têm que ser elementos bastante diferenciadores da marca para que ela seja evocada.
O uso do Cubo de Rubik em The Pursuit of Happyness (2006, Gabriele Muccino) ilustra o evocative placement na medida em que é um produto que é automaticamente identificável assim que surge na imagem.
Este tipo de inclusão de produtos em filmes permite também às marcas que assumam uma postura mais humorística na sua comunicação. Um exemplo disso ocorre no vencedor do Oscar para Melhor Filme de 1994, Forrest Gump (1994, Robert Zemeckis): a marca Apple é mencionada simplesmente como uma “empresa de fruta”.

Stealth Placement – É a forma mais discreta de product placement que existe. Como o nome sugere, o placement é frequentemente bem integrado na cena e a sua presença não intrusiva confere-lhe um aspecto de autenticidade, que pode muito bem originar um impacto mais significativo quando a marca é reconhecida posteriormente. Um exemplo? O vestido Donna Karan que a Gwyneth Paltrow veste em Great Expectations (1998, Alfonso Cuarón).

To be continued

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Looking Back At 1992

#5
Aladdin
Dirs. Ron Clements & John Musker

#4
  Basic Instinct
Dir. Paul Verhoeven

#3
Kurenai no Buta [Porco Rosso]
Dir. Hayao Miyazaki

#2
Batman Returns
Dir. Tim Burton

#1
Reservoir Dogs
Dir. Quentin Tarantino

sábado, 25 de agosto de 2012

The Dark Knight Rises (2012, Nolan)


Em 2005, pela mão de Christopher Nolan, Gotham City é abordada sob uma nova luz. Com Batman Begins, Nolan recria parte do universo Batman adoptando uma perspectiva mais crua sobre o mundo do super-herói, afastando-se e distinguindo-se em larga parte dos anteriores filmes que tinham Batman como figura principal (todo o ambiente over the top de Tim Burton e a essência campy de Batman Forever e Batman & Robin são completamente descurados).

Em 2008 surge The Dark Knight. Recordista de números de bilheteiras e por muitos aclamado como o expoente máximo de adaptações de super-heróis ao grande ecrã. Contando com uma interpretação magistral por parte do falecido Heath Ledger, The Dark Knight deu que falar.

E agora, em 2012, Christopher Nolan encerra o seu envolvimento com o herói de capa negra com The Dark Knight Rises, aquele que potencialmente é o mais fraco dos três filmes.


O último filme da trilogia do Cavaleiro Negro prima pelas bem executadas cenas de ação e pela sua montagem. Efectivamente, o filme não parece ter aproximadamente 3 horas. O elenco é na sua maioria competente, não existindo nenhum elemento que se destaque dos outros (ao contrário do que aconteceu em The Dark Knight). Existe apenas uma cena em que (surpreendentemente) alguém se destaca pela negativa:

*spoiler alert spoiler alert spoiler alert* Não sei em que é que a Marion Cotillard estava a pensar na cena da morte da sua personagem. Really? Só faltava pôr a língua de fora, umas cruzes nos olhos, e ficávamos com a morte mais artificial de todos os tempos! Terrível. *spoiler alert spoiler alert spoiler alert*

Adiante. Tendo em conta que The Dark Knight Rises é o últmo filme do Batman que Nolan irá realizar, acho que estava à espera que algo que embrulhasse um “soco” maior. E haveria espaço para tal. É um filme que conta com o vilão mais ameaçador da saga: sob uma calma enervante, o Bane aparentava um espírito maléovolo muito mais internalizado do que os outros vilões da trilogia, o que poderia ter sido mais aproveitado em prol de um desfecho mais duro, mais impactante e mais único.

Pelo contrário, temos um filme muito superficial, com algumas personagens que pouco ou nada acrescentam à história e um final repleto dos mais comuns clichés que normalmente habitam neste tipo de filme. Esperava mais de Nolan e companhia. No fim, The Dark Knight Rises vê-se bem mas fica a saber a pouco. A muito pouco.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

My Watchlist #1

Se tivesse todo o tempo do Mundo, despachava imediatamente estes todos. Entre cinema e televisão:

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

The Prestige (2006, Nolan)

 
“Are you watching closely?” 

Dois ilusionistas presos nas suas próprias ilusões formam uma rivalidade que lhes sairá cara após um trágico acidente num dos espectáculos em que colaboravam. Depois disso, a obsessão que têm em descobrir os segredos que estão por detrás dos truques do seu rival torna-se maior que a própria vida. 

The Prestige assinala a quinta longa metragem de Christopher Nolan e assinala também um dos filmes mais esteticamente apelativos de 2006, devido aos seus valores de produção que enchem o olho do espectador (excelente fotografia por parte de Wally Pfister) e com um ritmo que mantém o interesse no filme constantemente nivelado. A parelha Bale/Jackman lidera o ecrã eficazmente, ainda que por momentos seja Rebecca Hall quem rouba as luzes da ribalta.

Foi a primeira vez que vi o filme desde que estreou em 2006. Lembro-me de me ter sentido arrebatado por ele. Revisitando-o meia dúzia de anos depois posso dizer que esse impacto perdeu-se. Talvez isso tenha acontecido pelo facto de The Prestige se debruçar (em demasia) no seu big twist. Será que daqui a uns tempos, se voltar a vê-lo, irei ter outra vez aquela sensação de espanto que tive quando o vi pela primeiríssima vez? Ou será que a partir daqui a minha apreciação irá pelo cano abaixo? Esperemos para ver. 

sábado, 28 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mais visibilidade para o cinema nacional

Uma excelente iniciativa do Antestreia (ver este post). Um espaço onde é possível submeter produções nacionais para que a sua exposição online aumente. Já fazia falta.

São dois endereços. Um exclusivamente dedicado a longas metragens - http://ofilme.pt/
Outro, dedicado a curtas metragens - http://acurta.pt/

Deste lado já foram para os bookmarks. Aconselho que o façam desse lado também.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Martha Marcy May Marlene (2011, Durkin)



Um subtil thriller. Um astuto trabalho de Sean Durkin e um dos mais enigmáticos filmes do ano passado.

Martha (Elizabeth Olsen) reúne-se com a sua irmã, após ter distanciado-se da família quando se juntou a uma seita dois anos antes. Com uma veia que relembra o excelente Winter’s Bone, Martha Marcy May Marlene manuseia eficazmente o tópico da paranóia, ainda que deixe algumas questões por responder.

Saltando entre o passado e o presente, Martha surge como o elemento central da narrativa. Percebemos o seu comportamento “presente” quando a visitamos no passado. Uma personalidade que se vai fragmentando com o passar do tempo. A identidade perde-se no primeiro momento em que Martha conhece Patrick (John Hawkes) – diz-lhe que tem cara de Marcy May. E Marcy May fica.

É um filme que convida a uma postura reflexiva, e nesse sentido, Martha Marcy May Marlene é quase hipnótico (tenho pensado no filme nestes últimos dias e uma das minhas principais questões com ele – o de ter achado que o seu ritmo era algo inconstante – tem vindo a dissipar-se), deixando todo o espaço necessário para o contemplo da história.

Acrescento ainda que o que se sobressai em Martha Marcy May Marlene é a portentosa interpretação de Elizabeth Olsen no papel do principal. Carrega o peso do filme aos ombros e fá-lo de uma maneira extremamente simples, comandando o ecrã em cada cena em que aparece, transparecendo a vulnerabilidade da personagem com uma linguagem corporal impecável.



sábado, 23 de junho de 2012

DOA Random Survey XIII

O DOA Random Survey está de volta após uma ausência relativamente prolongada. Sem mais demoras:

#1 Tivemos recentemente o aniversário de uma das mais aclamadas actrizes da história do Cinema, pelo que fica lançada a questão: Interpretação preferida de Meryl Streep?
#2 Foi anunciada a sequela de Before Sunset para 2013: Yes ou Yes? (eheh)
#3 Festivais: Cannes, Veneza, Toronto ou Berlim?
#4 Maior interesse despertado: Amour de Michael Haneke ou Holy Motors de Leos Carax?
#5 Brave da Pixar: Valerá a pena a ida ao cinema ou não?

Nota: Gostava de obter sugestões vossas sobre possíveis questões futuras, por isso se se lembrarem de algumas ou se gostarem de ver alguma questão que ainda não tenha sido abordada, enviem-nas para: notesonmyfilms@gmail.com

terça-feira, 12 de junho de 2012

The Lost Weekend (1945, Wilder)



Um clássico norte-americano (nem que o seja pelo simples facto de ter a assinatura de Billy Wilder) e o grande vencedor da cerimónia dos Óscares do seu ano – tendo arrecadado as estatuetas de Melhor Filme, Realizador, Argumento e Actor –, The Lost Weekend é um filme que, não obstante dos seus 67 anos, permance actual.

Um doloroso retrato do desespero que um desenfreado, pesado e rotineiro consumo de álcool é capaz de causar. Um importante retrato feito numa época em que o alcoolismo no grande écrã servia, essencialmente, para soltar as gargalhadas dos espectadores.

Uma garrafa pendurada do lado de fora da janela do quarto. Uma razão suficientemente sólida para (re)quebrar a confiança que os entes queridos de Don Birnam (Ray Milland) depositam nele. Um fim-de-semana perdido. Afinal, é só mais um copo. E outro. E porque não mais um? Preso nesta rotina sistemática, Don envereda pelo caminho da auto-destruição, que ele próprio construíu. Copos atrás de copos, até cair para o lado... ou pelas escadas.

“It’s like the doctor was just telling me – delirium is a disease of the night. Good night.”

Nas mãos de Billy Wilder, The Lost Weekend apresenta ainda uma das cenas mais impactantes dos filmes de então. A alucinação de Don. E enquanto que em The Maltese Falcon, Humphrey Bogart profere uma expressão que tornar-se-ia icónica – “The stuff that dreams are made of” – podemos dizer que a mencionada cena do filme de Wilder remete para a stuff that nightmares are made of. Morcegos e ratos. Sangue a escorrer pela parede. Lunáticos gritos que ecoam pelo prédio inteiro. Uma cena em que o audio e o visual se complementam de uma forma perfeitamente assombrosa.

Na minha – ainda breve – incursão pela filmografia de Billy Wilder, The Lost Weekend representa mais um exímio exercício na escrita, na realização e na direcção de actores. Fico feliz por saber o quanto ainda tenho por explorar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Looking Back At 1993

#5
Short Cuts
Dir. Robert Altman

#4
  Trois Couleurs: Bleu [Three Colors: Blue]
Dir. Krzysztof Kieslowski

#3
Falling Down
Dir. Joel Schumacher

#2
Schindler's List
Dir. Steven Spielberg

#1
Jurassic Park
Dir. Steven Spielberg

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Immortals (2011, Singh)



A principal razão que me levou a ver Immortals foi o nome do seu realizador. The Fall é um filme soberbo, e apesar de não o colocar no mesmo patamar, The Cell é também um filme visualmente arrebator com o seu quê de interessante.  Gosto da forma de como Tarsem Singh joga com as cores e com a simetria. Sei que, com os filmes dele, posso contar com um grande deslumbramento visual. No entanto, pouco mais (para não dizer mesmo que nada mais) se aproveita neste Immortals.

O argumento não traz nada de novo para cima da mesa e à montagem faltava-lhe pujança, mais dinamismo e maior fluídez. São algumas as cenas que se arrastam por períodos que parecem infindáveis (senti-me imortalmente aborrecido. Ahahaha. So funny... yeah, no). 

As cenas de pancadaria relembram um 300 ou um God of War, o que acaba por trazer algum estilo ao filme, mas tirando isso e a boa fotografia, o “épico” protagonizado pelo futuro Homem de Aço – Henry Canvill – é um miss.


domingo, 20 de maio de 2012

We Need To Talk About Kevin (2011, Ramsay)


 
Com We Need To Talk About Kevin, Lynne Ramsay adapta o livro homónimo assinado por Lionel Shriver e apresenta-nos um olhar sobre o desespero e o exasperado conflito interno pelo qual uma mãe – Eva (Tilda Swinton) – passa quando o seu filho – Kevin (Ezra Miller) – comete uma atrocidade de enormes proporções na sua escola.

Optando por investir numa estrutura narrativa não linear e recorrendo ao simbolismo associado à cor vermelha (excessivo, até. Eventualmente a cor deixa de perder o seu significado apenas para se tornar num elemento distractivo), a realizadora escocesa retrata uma relação entre Mãe e Filho. Uma relação penosamente distante e fria. Os sonhos e memórias que aquecem o coração de Eva são despedaçados com o nascimento do seu filho. A maldade nasce com o homem ou é cultivada durante todo o processo de crescimento?

Assistimos à relação destrutiva que Mãe e Filho partilham. Assistimos ao massacre levado a cabo por Kevin. Assistimos à forma de como Eva tenta prosseguir com a sua vida, carregando na alma, e para o resto dos seus dias, o peso das suas dúvidas, da sua desilusão, da sua impotência. São nestes particulares momentos em que Tilda Swinton brilha, deixando que as suas expressões resvalem tudo o que Eva sente, sem que exista a necessidade de expô-lo por palavras.

Creio que a expressão “por vezes, menos é mais” adequa-se perfeitamente a este tipo de filmes: Não seria necessário adoptar uma estrutura narrativa não linear, porque a história é suficientemente cativante para captar a atenção. Um uso mais subtil do vermelho também não seria mau, porque a certa altura a mensagem parece mais do que forçada. We Need To Talk About Kevin é um filme perturbador, mas que poderia ter tido um maior potencial e um impacto emocional muito maior.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Looking Back At 1994

Honorable Mention
Ed Wood
Dir. Tim Burton
 
#5
 Heavenly Creatures
Dir. Peter Jackson

#4
 Trois Couleurs: Rouge [Three Colors: Red]
Dir. Krzysztof Kieslowski

#3
Pulp Fiction
Dir. Quentin Tarantino

#2
Léon
Dir. Luc Besson

#1
Trzy Kolory: Bialy [Three Colors: White]
Dir. Krzysztof Kieslowski
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