segunda-feira, 31 de Março de 2014

100(k).

Sendo a primeira pessoa a admitir que não tenho uma atividade particularmente regular em matéria relacionada com este blog (my bad), foi com muita surpresa que reparei que há coisa de uns dias (ou melhor... semanas) atrás o Delusion Over Addiction passou a marca das 100 mil visualizações. Yay! No entanto, não percebo é o porquê especial deste post ser o responsável por sensivelmente 22% das mesmas surgindo destacadamente como o mais visto.

Aproveito este post para realçar duas pequenas (grandes) surpresas que vi nos últimos tempos. A primeira, Filth (2013, Baird). Politicamente incorrecto, o filme britânico conta com um ritmo frenético, um James McAvoy em grande forma, e com alguns dos momentos mais alucinantes que o ano passado teve para nos oferecer. Filth é um estrondo.

A segunda surpresa foi o Frances Ha (2013, Baumbach). A sua fotografia a preto e branco assenta o filme que nem uma luva, permitindo que um nostálgico sentimento paire enquanto o filme se desenrola sobre a vida de Frances (óptima interpretação de Gerwig). Frances é um espírito livre que persegue os seus sonhos apesar de enfrentar dissabores que poderiam facilmente moldar, não só a sua personalidade, mas também o seu rumo. Frances Ha é um pequeno charme de filme.

terça-feira, 18 de Março de 2014

Looking Forward To - Sin City: A Dame To Kill For


2014 será um bom ano. Nem que Sin City: A Dame to Kill For seja o único filme que veja no cinema até ao final de Dezembro. Já espero por isto desde que saí da sala de cinema em Junho de 2005 depois de ter visto o primeiro. Por enquanto? Fica o trailer. Já era hora!

sábado, 8 de Março de 2014

Blue Jasmine (2013, Allen)


Creio já ter mencionado por estas bandas que não sou propriamente o maior fã de Woody Allen. Quando Blue Jasmine estreou, foram muitos aqueles que elevaram a mais recente obra do lendário realizador ao mesmo patamar de outros dos seus mais-que-consagrados trabalhos. Gosto apenas de um ou outro filme de Allen (Match Point e Vicky Christina Barcelona vêm à cabeça de repente... assim como o Crimes and Misdemeanors. Não poderei dizer a mesma coisa sobre outros vários). Posso, no entanto, juntar Blue Jasmine ao reduzido leque de filmes que gosto do realizador. O que é bom.

Repetindo o que já se disse, este é o show da Cate Blanchett. Incapaz de fazer uma má interpretação, a Jasmine que retratou figurará seguramente como um dos mais sólidos desempenhos do seu impecável curriculum. Jasmine é uma personagem detestável, acomodada àquilo que de melhor o dinheiro consegue comprar. Está imersa no seu artificial e elitista círculo social e isso representa o melhor que a vida tem para oferecer. Tudo o que estiver abaixo disso não é digno de ser agraciado por Jasmine. Até que a sua vida dá uma tremenda reviravolta. Uma radical mudança que pouco serve para (re)ajustar a perspetiva que tem sobre a vida. É aqui que se destaca o exímio trabalho de Blanchett. A detestabilidade de Jasmine mantém-se, sim, mas Blanchett consegue incutir-lhe empatia e uma dimensão humana que passa para além do papel. Bravo.

Acho que daquilo que já vi de Allen, este filme é o que assume o tom mais sombrio. Blue Jasmine divide-se entre o presente e o passado, por flashbacks que são despoletados de forma circunstancial. É o passado que mais real parece. Representa os momentos que (ainda) pautam a vida de Jasmine e o que lhe é real. A sua nova dimensão é apenas um pesadelo do qual tem que acordar o mais rapidamente possível. Surge uma oportunidade de voltar a reviver a realidade que é sinónima de Jasmine mas depressa tudo colapsa novamente. E depressa também se esvai toda a sua personalidade...


Lá terei que dar mais umas chances ao Allen.

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

Performances I Fucking Love #01: Peter Lorre in M

Para mim, M – clássico de 1931, dirigido por Fritz Lang – pertence à santa trindade dos thrillers (juntamente com The Silence of the Lambs e Seven. É arrepiantemente atmosférico, com uma não menos acutilante fotografia a preto e branco e com uma tremenda interpretação de Peter Lorre enquanto Hans Beckert, serial killer.

Com uma das faces mais expressivas dos anos 30, Lorre tinha um tremendo magnetismo, que em M, contribui para elevar o suspense do filme. O seu assombroso desempenho tem tanto de sinistro como a personagem que encarna.

Na cena-chave do filme, Beckert é levado para uma cave onde inicialmente é confrontado por uma panóplia de silenciosos olhares que o julgam e o condenam pelas suas acções. Rapidamente se instala a insegurança, a desorientação e a apreensão. Não se desenvencilhando da situação em que se encontra, instala-se o desespero, a angústia e a raiva. E depois? A culpa. Segue-se um dos momentos que mais marcou a minha memória e um verdadeiro testamento ao estrondoso talento de Lorre.


HANS BECKERT What do you know about it? Who are you anyway? Who are you? Criminals? Are you proud of yourselves? Proud of breaking safes or cheating at cards? Things you could just as well keep your fingers off. You wouldn't need to do all that if you'd learn a proper trade or if you'd work. If you weren't a bunch of lazy bastards. But I... I can't help myself! I have no control over this, this evil thing inside of me, the fire, the voices, the torment!
SCHRAENKER Do you mean to say that you have to murder?
HANS BECKERT It's there all the time, driving me out to wander the streets, following me, silently, but I can feel it there. It's me, pursuing myself! I want to escape, to escape from myself! But it's impossible. I can't escape, I have to obey it. I have to run, run... endless streets. I want to escape, to get away! And I'm pursued by ghosts. Ghosts of mothers and of those children... they never leave me. They are always there... always, always, always!, except when I do it, when I... Then I can't remember anything. And afterwards I see those posters and read what I've done, and read, and read... did I do that? But I can't remember anything about it! But who will believe me? Who knows what it's like to be me? How I'm forced to act... how I must, must... don't want to, must! Don't want to, but must! And then a voice screams! I can't bear to hear it! I can't go on! I can't... I can't...
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