terça-feira, 7 de setembro de 2010

Requiem For a Dream - 2000, Aronofsky.

 
“Aronofsky brings a new urgency to the drug movie by trying to reproduce, through his subjective camera, how his characters feel, or want to feel, or fear to feel.”
                                                                                                          Roger Ebert

No ano de 2000, Darren Aronofsky realizou um pequeno filme que retrata a vida de quatro pessoas que estavam, directa ou indirectamente, relacionadas com o mundo da droga. O mesmo filme capta a essência das relações dessas quatro pessoas, guiando-as numa espiral descendente ao, chamemos-lhe, fundo do poço. Esse filme é o Requiem For a Dream.

Breve Síntese: A brutalidade com que é demonstrada a realidade que três jovens – Harry, a sua namorada Marion, e o seu amigo Tyrone (brilhantemente desempenhados por Jared Leto, Jennifer Connelly e Marlon Wayans, respectivamente) – vivem para suportarem os seus vícios atinge-nos como se tivéssemos a levar um murro no estômago. É um filme bastante duro de se ver. Não podemos dizer que estas três personagens sejam personagens com as quais o público consiga estabelecer uma relação de empatia. Muitos se calhar até dizem que tiveram o que mereceram. Contudo, aquela que eu considero ser a alma do filme reside na personagem de Sarah Goldfarb (Ellen Burstyn, num papel que lhe valeu a nomeação para o Oscar de Melhor Actriz). Sarah, mãe de Harry, está habituada a que o filho lhe penhore a televisão como forma de arranjar dinheiro para a droga. É uma senhora de idade, que se sente muito só, e gosta imenso de ver televisão. Certo dia, surge a possibilidade de ela vir a participar num concurso televisivo, e como tal, toma a decisão de emagrecer para que consiga vestir o seu vestido vermelho. Para isso, ela recorre a uma médico que lhe recomenda uns comprimidos para que ela alcance o seu objectivo. Em certa altura do filme, ela possui um monólogo sobre solidão que é simplesmente devastador.

A realização levada a cabo por Aronofsky, para além de conseguir expôr a mensagem de que as drogas acabam por arruinar a vida de muitos, é bastante dinâmica. Os vários close-ups e os vários ângulos através dos quais muitas das cenas são filmadas contribuem para um maior dinamismo. O clímax do filme é algo que, provavelmente, jamais esquecerei (vi o filme uma única vez, há coisa de 6 anos atrás, e o final do mesmo ainda está bastante fresco na minha memória). As interpretações, de uma forma geral, são fantásticas. E a banda sonora? Creio que se pode dizer que é um clássico, apesar de ser bastante recente – se bem que começo a achar um bocado exagerada a inclusão do tema principal desta banda sonora, em inúmeros trailers. Não me vou prolongar mais, mas aproveito ainda para dizer que este foi o filme que me fez olhar para o Cinema de uma forma diferente, e como tal, irei tê-lo sempre em especial consideração.



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In 2000, Aronofsky directed a small movie that dealt with the lives of four characters that were, direct or indirectly, associated with the world of drugs. That same film captures the essence of their relationship, guiding its characters towards a descending spiral to disturbing places. All the characters really hit rock bottom.

It’s an extremely hard movie to watch, and the impact it leaves you with is the same as if you were punched in the stomach. Although we can’t necessarily say that three of the four main characters are the most pleasant around, and probably, a lot of people might think that they got what they deserved, I believe the true soul of the film lies within Ellen Burstyn’s character – Sarah Goldfarb: Her monologue about ageing and solitude is simply heartbreaking, and I believe it’s a travesty that she didn’t take the Oscar home.

Anyway, Aronofsky’s masterful direction is, in my opinion, one of the key elements that makes the movie work: It allows him to expose the subject tackled by the movie in a very dynamic way, through all those close-ups and different angles. Requiem For a Dream’s climax is something that I won’t easily forget (I only saw the movie once, 6 years ago, and it still remains incredibly fresh in my mind). The performances, all across the board, are splendid. And what about that score? I think it already achieved a classic status. Although the over-usage of Requiem’s main theme in several trailers is getting a little bit on my nerves. Anyway, I won’t extend myself more, but I’m going to take the chance and say that this movie was the one that got me into movies. After Requiem For a Dream, I never looked at cinema the same way as I did before, and for that, it will always hold a special place in my heart.

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5 comentários:

  1. Uma obra-prima do cinema contemporâneo. Grande Aronofsky.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  2. Roberto - Faço das tuas palavras, minhas. :)

    Abraço

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  3. Até hoje quando escuto a música-tema do filme me lembro das cenas e me dá arrepios. O filme é muito bom, incomparável com muitos!

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