domingo, 13 de novembro de 2011

Oslo e métodos perigosos


 
31 de Agosto é um dia importante na vida de Anders (Anders Danielsen Lie). Após estadia num centro de reabilitação, Anders insere-se novamente na sociedade naquele particular dia.

 
Oslo, 31. August é, então, um drama sobre os contornos das relações humanas e também um interessante exercício sobre a forma de como é que a droga as molda, as influencia e as impacta.
Sem forte sentido de orientação, Anders reúne-se com as variadas pessoas que anteriormente haviam desempenhado um papel importante na sua vida. E o mais curioso aqui é o facto de as personagens apenas dedicarem um pouco de atenção aos problemas de Anders antes de começarem a debitar todos os problemas da sua vida (talvez como mecanismo para evitarem tocar num tema sensível e potencialmente constrangedor?), relegando a personagem principal para personagem secundário da sua própria vida. 

De qualquer forma, li na... Variety? (Devo estar enganado, mas adiante) uma passagem que achei curiosa: Enquanto que o Lars Von Trier se ocupa com um filme que retrata a destruição do Mundo, Joachim Trier ocupa-se em filmar a destruição de uma única pessoa. Spot on.

 
Relativamente ao mais recente filme do David Cronenberg. Não esperava que fosse tão ligeiro e tão cómico como foi. Pelo contrário esperava algo extremamente denso e pesado! E voltam as expectativas a mexer com a apreciação final do filme.

Entrando no domínio da Psicologia, o filme retrata as relações entre três figuras de referência nesse campo: Carl Jung, Sabina Spielrein e Sigmund Freud. A curta duração do filme prejudica em parte estas relações, pelo que preferia ter visto um desenvolvimento mais profundo das próprias personagens ainda que isso implicasse uma meia-hora extra de filme.

De salientar ainda que o filme começa num tom bastante histérico e aqui a Keira Knightley está atroz (senti-me embarassado a vê-la naquele primeiro encontro com o Michael Fassbender). Contudo, A Dangerous Method encarrila à medida que a narrativa desenrola e termina de uma forma sólida. Pelo meio de bons valores artísticos e de uma boa banda sonora temos um Michael Fassbender bastante inexpressivo (do que já vi até agora é, seguramente, a sua interpretação mais fraca), um Viggo Mortensen que pega no pouco que lhe é dado e desenvolve um pouco mais a personagem de Sigmund Freud, e ainda um Vincent Cassel que simplesmente rouba o espectáculo. 

O David Cronenberg apresentou o filme, afirmando que era uma obra bastante fiél ao que se terá passado na vida real. Deixou a audiência decidir sobre a qualidade do filme. E nesse aspecto, acho que existia margem para um filme muito mais impactante. No final do dia, gostei mas soube a pouco.



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