terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Happy New Year!

Um feliz 2011 para todos vocês que por estas bandas têm passado! Esperamos sempre que o próximo ano seja melhor do que o que passou e este ano não é diferente. Que tenham um 2011 lendário!

Queria também aproveitar para acrescentar que por motivos de constrangimentos temporais, não vou conseguir revelar o número um da lista que tenho vindo a divulgar este ano - ahahah, dito assim parece que ainda falta imenso tempo ("Ishhhh, não como nada desde o ano passado!" / "Não tomo banho desde o ano passado!", random, I know, mas lembrei-me dessas 'piadas' que se dizem por aí, geralmente, nos primeiros momentos do novo ano. Ou então sou só eu que as digo. ahaha). Ok, nevermind.  

Tempo de recapitular:

Que filme sairá no topo dos topos? Brevemente se saberá!


A happy 2011 for you! Thank you so much for stopping by, and please feel free to stop by again. many times. ahah. We always wish for the next year to be better than the previous, and this year it's no different. May you all have a legendary 2011!

I would also like to add that due to time constraints, I won't be able to unravel el numero uno of the list I've been presenting as of lately, this year - ahaha, putting into these terms it feels like we have a long way to next year ("Eesshhh! I haven't had anything to eat since last year!" / "The last time I took a shower was last year!", random, I know, but I just remembered those jokes that are usually said in the first moments of a new year. Or maybe I'm the only one who says them. Ok, never mind). 

Recap time:

What will come out on Top? Stay tuned!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #02. Mulholland Drive (2001, Lynch)

O número dois já não é nenhum estranho a este blog, uma vez que já falei dele aqui. A obra-prima de David Lynch, Mulholland Drive, ocupa a segunda posição desta contagem, se bem que poderia ocupar a primeira consoante a altura do dia em que me perguntarem qual é o meu filme preferido. Hoje, fica-se por aqui.

Em português? Aqui.


Number two is no stranger to this blog, as I talked about it a while ago. David Lynch's masterpiece, Mulholland Drive, takes the second position of this countdown, even if it could very well take the number one spot (depending on the day you ask me what my favorite movie is). Today, it remains here.

Having been originally planned as a pilot for a new TV show, Mulholland Drive was rejected. Due to this unfortunate happening, its director chose a different path and decided to gather the necessary funds that would allow him to develop the pilot into a full-length feature that could be shown in theaters. David Lynch, certainly, made the right choice, as the film went on getting a wonderful critic reception, garnered him a nomination for Best Director, and more recently, Mulholland Drive has been constantly crowned as the best film of the decade (2000-2009), topping numerous critics’ lists.

 Notorious by the fact that his movies often explore the themes of surrealism, taking an in-depth look into the world of the subconsciousness, David Lynch kept his trademark and continued to delve deeper in those same themes in this film, perfecting his technique.

Diane (Naomi Watts) moves to Los Angeles in order to pursuit a career as an actress, after winning a jitterbug dancing contest. In an audition Diane falls in love with another actress, Camilla (Laura Harring). Since Camilla is a promiscuous type of girl that bonds with other men and women, jealousy starts to take over Diane. During the shooting of a scene in which both actresses play a part in, Diane notices the intimate relationship Camilla has with Adam (Justin Theroux), the film’s director. In a private party, Camilla and Adam announce their engagement, making Diane blind with rage. In this state of mind, Diane hires a hitman to assassinate Camilla for all the suffering she has been causing her. Solitude, therefore, installs in Diane’s life, haunting her, making her slip into a fantasy world, in a dream, where everything goes accordingly to Diane’s plans. When Diane finally wakes up, she’s consumed by the guilt of her own actions, leading her to commit suicide.

The film’s narrative doesn’t follow a traditional structure, where begining, middle and end appear in a natural order. Its non-linearity grants Mulholland Drive a high order of complexity that requires a great level of attention from its viewer. After all, the movie is a true puzzle. However, the attention to detail that the director injects in the movie and the strong simbolism associated to diverse scenes make Mulholland Drive a truly original piece.

It’s a seductive feature. Its cinematography is exceptional and important to the creation of a mysteriously sensual mood. The original score by Angelo Badalamenti is also in tune with the themes that are approached in this film and plays a vital role in one of the key scenes of the film (the Club Silencio scene. The use of sound in this particular scene is significantly relevant to aid the viewer in deciphering what is going on).

I couldn’t talk about this movie without mentioning the extraordinaire performance by Naomi Watts. Mulholland Drive was her breakthrough movie and the film that opened up all the doors in Hollywood for her to have a stable and steady career (two years later, Naomi Watts would be getting her only nomination for the academy awards to date, for 21 Grams). Here, Naomi Watts displays all her talent by tackling two different characters that are polar-opposite of each other, in a completely natural and believable way. In one hand we have Betty (the “dream” character) – eternally optimistic, determined, humble, talented and noble. On the other, we have Diane (the “real life” character) – vengeful, extremely pessimistic, defeated, lacking talent and pathetic. The way Naomi Watts gives this 180º transformation in such a convincing and precise way is simply admirable. It is, in my humble opinion, the single greatest performance I have ever had the pleasure to witness.

Wrapping up, seeing (preferably, with an open mind) Mulholland Drive is a true journey to the realms of the subconscious, that works both with the reason and emotion of its viewers. Highly recommended.

sábado, 18 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #03. Lost in Translation (2003, Coppola)

“Lost in Translation revels in contradictions. It's a comedy about melancholy, a romance without consummation, a travelogue that rarely hits the road.”
Richard Corliss
Time Magazine

Não gostei muito do Lost in Translation quando o vi pela primeira vez. Fez-me rir um bocado, mas não o achei nada de especial. “Era só isto?” foi a questão que me veio imediatamente à cabeça no momento em que o tinha terminado. Alguns meses depois a SIC decidiu exibí-lo às tantas da madrugada, pelo que o revi na esperança de que me fizesse adormecer. Pensei que fosse remédio infalível para a minha insónia. Fico contente por ter tido essa insónia.

 Tóquio, Japão. O fantástico hotel Park Hyatt. Bob (tremendo Bill Murray) viaja até ao Japão para filmar um anúncio para a marca de whisky Suntory – “For relaxing times, make it Suntory time.” – pela módica quantia de dois milhões de dólares. Charlotte (Scarlett Johansson) acompanha o seu marido (Giovanni Ribisi) que vai para terras nipónicas fotografar uma nova banda musical. Face aos relativamente longos períodos de ausência do seu marido, Charlotte deâmbula pelo hotel e pelas ruas de Tóquio tentando incutir algum interesse na sua enfadonha estadia. Bob e Charlotte acabam por se conhecer no bar do hotel onde estão hospedados e a partir daí surgirá uma profunda conexão entre ambas personagens.

Será que este filme representa, para as audiências dos dias de hoje, o mesmo que Casablanca representou para inúmeras pessoas na década de 40? Realmente só o tempo dirá, mas gosto de pensar que sim. Lost in Translation caracteriza todas as idiosincrasias da actual geração: O desejo por novas experiências, o fascínio por um mundo altamente tecnológico e fortemente iluminado por néons, o constrangimento derivado do choque cultural decorrente do fenómeno da globalização.


             - O argumento minimalista e a realização effortless, ambos por parte de Sofia Coppola, apenas suportam a expressão “por vezes, menos é mais”. E essa expressão, assenta em Lost in Translation que nem uma luva. Para mim, o ambiente que o filme proporciona é fantasticamente relaxante.

            - Bill Murray e Scarlett Johansson. Murray consegue aqui aquela que é, discutivelmente, a melhor interpretação da sua carreira. Encarregue de ser a alma e o coração do filme – uma vez que o papel foi escrito propositadamente para ele, sendo que caso o tivesse rejeitado, não estaria hoje a escrever este texto – Bill Murray alia a comédia à melancolia de uma forma sublime, com uma grande mestria. Scarlett Johansson, que tinha apenas 19 anos na altura em que filmou Lost in Translation, transparece um grande à vontade diante das camâras, uma grande naturalidade e uma subtileza impressionantes.

            - Diversas cenas. A do Lip My Stockings é hilariante, a rodagem do anúncio também. A festa do karaoke e a consequente viagem de taxi de volta ao Hotel, altura em que “Sometimes” dos My Bloody Valentine serve de banda sonora. Todas as cenas que envolvem Anna Faris (haverá mulher mais cómica em Hollywood? Acho que não). O final agridoce.

            - A fotografia. Acontece que considero Lost in Translation ser um excelente cartão de visita do Japão. Eu bem sei a vontade com que fico de visitá-lo sempre que revejo este filme (hm. Deveria considerar o Hotel Park Hyatt enquanto Product Placement para a minha tese. Ahah)

            - A banda sonora. So fuckin’ great.


I didn’t enjoy much Lost in Translation on my first viewing. It made me laugh in some bits but by the end of it I didn’t thought I had seen something truly special. “That’s it?” was the question that immediately sprung to mind after I was done with it. A couple of months later, Lost in Translation aired on a TV channel at a relatively late hour. I decided to re-watch it as I was having trouble in sleeping that night. I thought it would be the perfect cure for my insomnia. I’m glad I had that insomnia.

Tokyo, Japan. The fantastic Park Hyatt hotel. Bob (Bill Murray) makes a trip to Japan in order to endorse Suntory’s whisky – “For relaxing times, make it Suntory time.” – for two million dollars. Charlotte (Scarlett Johansson) accompanies her husband (Giovanni Ribisi) who goes to Tokyo to shoot a fresh new band. To avoid the long periods of her husband’s absence, Charlotte wanders through the hotel and through the streets of Tokyo to inject some interest in her boring stay. Bob and Charlotte wind up  meeting in the hotel’s bar lounge and they quickly establish a deep connection.

Does Lost in Translation represent the same thing Casablanca did for countless people during the 40s? Only time will tell, but I like to think it does. Sofia Coppola’s film embodies and defines all the idiosyncrasies of a generation: The desire of new experiences, the delight for a highly technological world bathed by neon lights, the awkwardness derived from the culture clash resultant of the globalization phenomenon.


            - The minimalist and effortless approach to the scrip and the direction are a perfect practical example of the saying “sometimes, less is more”, and that expression simply fits Lost in Translation like a glove. From where I’m standing, this film’s mood is extremely relaxing.

            - Bill Murray and Scarlett Johansson. Murray delivers here what can be considered, arguably, his finest hour. He has to carry the weight of the film on his shoulders. He has to be the film’s heart and soul – his role was actually written for him, so had he rejected it, I wouldn’t be writing this text today – and Murray mixes up comedy with melancholy in a decisively subtle manner. On the other hand, we have a 19 year old Scarlett Johansson delivering a very organic, subtle and natural performance.

            - Many scenes: The Lip My Stockings! scene always makes me laugh so hard, and so does the scene revolving the commercial shooting. The karaoke party and consequent taxi ride back to the hotel, where My Bloody Valentine’s “Sometimes” kicks-in. Every scene with Anna Faris (Is there a funnier woman in Hollywood? Don’t think so). The bittersweet ending.

             - The cinematography. Gorgeous shots of Park Hyatt. Beautiful landscapes and the depiction of Tokyo only makes me want to visit Japan more with each viewing (hm. I should consider Park Hyatt Hotel as a product placement for the purposes of my thesis! Ahah)

            - The soundtrack. So fuckin’ great. 


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Road to the Oscars: Golden Globe Nominations

A corrida aos Óscares começou sensivelmente no ínício deste mês e já temos um grande favorito à vitória de Melhor Filme, Realizador e Argumento Adaptado: The Social Network, de David Fincher. Apesar de não o colocar, nem de perto, num pedestal, acredito que a obra sobre a criação do Facebook é efectivamente um bom filme - e tendo por base o que já vi até hoje, não ficaria minimamente incomodado pelo facto de The Social Network levar o grande prémio para casa. Oh well.

Podem ver a lista dos nomeados para os Globos de Ouro aqui.

Algumas considerações:
  • Cinema
- Gosto bastante da calorosa recepção que Inception tem vindo a receber ao longo deste circuito de prémios. Christopher Nolan criou um filme cujo entretenimento é da mais elevada ordem. Peca ligeiramente pelo facto de ser demasiado expositivo (aliás, para que mais serve a personagem de Ellen Page para além de perguntar o que raio se está a passar de cinco em cinco minutos? "OH. What's Happening now?" ... "We're having lunch. Nothing more" "Oh, ok!" .... "OMG. What about now? Is this a dream?" ... "Erm, no. We just ordered dessert, that's all"). A premissa do filme é, no entanto, verdadeiramente interessante, o que aliado aos brutais efeitos especiais, tornam Inception num filme realmente cool.

- Dupla nomeação para Johny Depp? LOLOLOLOLOL.

- The Fighter tem vindo a marcar presença assídua nas grandes categorias até agora, o que me surpreende um bocado. A imagem com que fiquei deste filme, após ter visto o trailer, foi a de que seria apenas mais um genérico filme de boxe. Fica a questão no ar: Será que estamos na presença de um grande filme que sofre com um trailer mal editado? Veremos. Ah, e já estava na altura do Christian Bale começar a ser reconhecido pelo seu trabalho. A meu ver, as interpretações dele no American Psycho, The Machinist, The Prestige e Rescue Dawn têm calibre de Óscar, pelo que espero juntar este The Fighter ao grupo de grandes performances de Bale.

- A excelente recepção que Black Swan tem vindo a ter apenas me faz querer vê-lo mais. Aronofsky rules, basicamente. Para além de que as várias comparações feitas a Mulholland Drive fazem o meu nível de antecipação disparar completamente.

- Será que Jeremy Renner irá receber a sua segunda nomeação consecutiva nos prémios da Academia pelo seu papel no The Town? Até agora, tudo parece indicar que sim.

- Continuo com 0 interesse em ver o 127 Hours.

- Já referi a dupla nomeação do Johny Depp? LOLOLOLOLOL.

  • Televisão

 - Mad Men for the win! Bem espero que a melhor série dramática da actualidade arrecade todos os prémios para os quais está nomeada. John Hamm e Elisabeth Moss têm vindo a crescer exponencialmente ao longo das várias temporadas, tendo sido, pratica e unicamente, responsáveis por aquele que foi o melhor episódio da temporada.

- Com apenas 6 episódios, The Walking Dead é também um dos nomeados na categoria para Melhor Série de Drama. Great!

- Recentemente começei a ver Modern Family e aquilo é extremamente hilariante. Contudo, o 30 Rock continua a ser o meu candidato favorito à vitória na categoria de Série de Comédia.

E vocês? O que vos parece?

The race to the Oscars has just begun, and we already have a big favorite to take the Best Picture, Director and Adapted Screenplay statuettes home: David Fincher's The Social Network. Although I don't necessarily place it on a high pedestal, I must say that the movie about the creation of Facebook is effectively a great film - and taking into account the stuff I've already seen this year, I won't be bothered if The Social Network ends up winning the big prize.
Golden Globes Nominations: here.
Some considerations:
  •  Cinema 
- I'm enjoying the warm reception Inception has been getting during this year's award circuit. Christopher Nolan has crafted a film of the highest entertainment level order. The film loses a bit due to its expository nature (what other purpose Ellen Page has besides making questions about what the hell is going on every 5 minutes? "OH. What's Happening now?" ... "We're having lunch. Nothing more" "Oh, ok!" .... "OMG. What about now? Is this a dream?" ... "Erm, no. We just ordered dessert, that's all"). The film's premisse is extremely interesting, and when combined with the spectacular visual effects, we have ourselves the coolest ride of the year.

- Double nomination for Johnny Depp? LOLOLOLOLOLOL.

- The Fighter is now big contender for the top prizes, which actually surprises me a bit. The vibe I got from it, after watching its trailer, was that it was another generic boxing movie. Are we in the presence of a great movie that suffers from bad trailer editing? We'll see. Oh, and finally! Christian Bale is starting to get the recognition for his work he thoroughly deserves. I believe his work in American Psycho, The Machinist, The Prestige and Rescue Dawn reflect Oscar-caliber performances, so I hope to add The Fighter to this great group of performances very soon.

- Black Swan. Aronosky rules, and I simply can't wait to see his next effort. All those Mulholland Drive comparisons that are being made just make my anticipation levels soar through the roof.

- Jeremy Renner: Two-Time Academy Award Nominee? So far, I guess that it will be something we should be expecting.

- I still have 0 interest in seeing 127 Hours.

- Did I mention Johny Depp's double nomination? LOLOLOLOLOL.

  • Television
- Mad Men for the win! I really hope that the best current TV show wins in all the categories it is nominated for. Jon Hamm and Elisabeth Moss have been growing exponentially throughout the different seasons, and they are, pratically and single-handedly, responsible for the best episode of this last season.

- With only 6 episodes, The Walking Dead is in the run for Best Drama Series. Great!

- I've just recently got into Modern Family and I have to say that it really is hilarious. However, my favorite show on the Best Comedy Series is still 30 Rock!
What about you guys? How do you feel about this bunch of nominations? Please, share away!

domingo, 12 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #04. Bonnie and Clyde (1967, Penn)

Aquém do Top 3 ficou a revolucionária obra de Arthur Penn, Bonnie and Clyde. Após o lançamento deste filme, o cinema nunca mais foi o mesmo. Aqui podem ler os meus breves pensamentos sobre o fantástico filme que retrata um dos mais emblemáticos casais de ladrões da história americana.


Bonnie and Clyde is a true landmark in Cinema's history, making deep impact changes on the way films were made in North America. Opening the gates of violence to mainstream crowds, it is possible to say that many other films would not be what they are today, if it weren't for Arthur Penn's Bonnie and Clyde. (The Godfather, I'm looking at you. eheh).

What can I possibly say about this film? Well, it has an extremely strong and effective direction, the performances are fantastic all across the board, the cinematography captures the essence of Southern and Midwest America, and the editing makes the movie flow seamlessly.

My biggest qualm towards it would be the soundtrack. I do feel that some scenes would benefit with the absence of a music score, enhancing their impact. When I'm watching the movie, and specifically in a couple of scenes that have a score in the background, the image of a hillbilly playing banjo with his feet immediately springs to my mind which, may I add, is not exactly the nicest mental image one can have. ahah.
However, and taking into account the era that the movie depicts, the soundtrack captures and reflects the culture of those specific areas in the US. So, by staying in line with the themes explored in the film I can't help to not stay mad at it.

"We Rob Banks."



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #05. Sunset Blvd. (1950, Wilder)

No quinto lugar encontra-se a fantástica sátira e obra-prima de Billy Wilder Sunset Blvd. Daquilo que já vi de Billy Wilder, posso afirmar que é bem provável que ele seja o único realizador cujos filmes caiem sempre nas minhas boas graças. Até hoje ainda não vi um único filme dele que não gostasse (o Double Indemnity é soberbo, o Ace in the Hole é extremamente completo, o Sabrina é uma pequena pérola, o Stalag 17 é exímio na sua abordagem aos campos de concentração da segunda grande guerra, e adiante).

O Sunset Blvd. foi o primeiro grande clássico que vi quando começei a debruçar-me seriamente sobre o mundo do cinema, e cativou-me imediatamente desde a primeira narração, desde a primeira cena. A imagem do cadáver de Joe Gillis a flutuar numa piscina surge como o ponto de partida para um enredo brilhante, capaz de captar a atenção de qualquer um.

 Joe Gillis (magistralmente desempenhado por William Holden), cínico argumentista de Hollywood, já viu dias melhores na sua vida. Sem sucesso na sua profissão e com o acumular de dívidas, Joe começa a ser pressionado para repor o que deve. Tentando fugir dos credores que o apoquentam, ele encontra na famosa Sunset Boulevard o refúgio perfeito para se esconder – uma velha mansão, pertencente à antiga estrela do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson, num dos grandes papéis do cinema). No primeiro encontro entre Joe e Norma, ele reconhece-a:

You're Norma Desmond. You used to be in silent pictures. You used to be big.”

Norma prontamente responde:

“I am big. It's the pictures that got small”.

É esta natureza lunática de Norma Desmond que a impele a vingar novamente no mundo do cinema mas desta vez ocupando as posições de actriz principal e a de argumentista (um pequeno indício da tremenda vontade que ela tem de voltar a estar nas luzes da ribalta. Norma acredita piamente que a inclusão de diálogo nos filmes veio destruir a qualidade dos mesmos: “We didn't need dialogue. We had faces!”, pelo que o facto de estar a contribuir para a concretização de um filme falado que a catapultasse novamente para o estrelato supera todo e qualquer preconceito que ela possa ter relativamente às evoluções que o cinema sofreu).

Joe Gillis: I didn't know you were planning a comeback.
Norma Desmond: I hate that word. It's a return, a return to the millions of people who have never forgiven me for deserting the screen.

Joe começa a colaborar com a antiga actriz no seu guião e daí surge uma relação doentia. Completamente obcecada com antigo estatuto de celebridade, a solitária, narcisista e egocêntrica Norma impõe-se a Joe dando-lhe aquilo que ele não tem: dinheiro. Querem mais? Vejam o filme! Ahah.

As várias passagens que coloquei ao longo deste post não são meramente indicativas, nem têm o único propósito de contextualizar a natureza das personagens. Servem sim para ilustrar aquele que considero ser o melhor argumento jamais escrito. Um enredo empolgante, diálogos fascinantes, personagens e frases icónicas. O argumento de Sunset Blvd. tem tudo isso. A forma de como assistimos à progressiva descida à demência por parte de Norma Desmond é um verdadeiro exercício em como escrever boas histórias. Aliás, não deve ser por acaso que sempre que oiço a expressão “Já não se fazem filmes como antigamente” o Sunset Blvd. é o primeiro filme que me vem à mente. É verdadeiramente uma grande obra.

“All right, Mr. DeMille, I’m ready for my close-up”

sábado, 4 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #06. Requiem For a Dream (2000, Aronofsky)

Aproximamo-nos a passos largos do número um, portanto deixo-vos aqui o filme que ficou bem perto de figurar o Top 5.

We're getting closer and closer to number one, so I'm going to leave you here the movie that just missed the cut for the Top 5.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #07. Vertigo (1958, Hitchcock)

Eis o número sete, apresentado sobre um novo formato: 10 Frames Edition!
Here we have it folks. Number seven on the list presented with a new format: 10 Frames Edition!

sábado, 27 de novembro de 2010

My 20 Favorite Movies: #08. Before Sunset (2004, Linklater)

Eu gosto de pensar que a perfeição está nos detalhes, e Before Sunset está repleto deles.
Nove anos após conhecerem-se num fugaz encontro na cidade de Viena (e seria este o setting do seu antecessor – Before Sunrise), Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) reencontram-se em Paris. Jesse é, agora, autor de um bestseller baseado naquele pequeno encontro decorrido no velho continente e encontra-se a terminar a sua tour de apresentação do livro. É numa pequena livraria parisiense que os olhares destas duas personagens se voltam a cruzar e daí surge a narrativa desta sequela.

Quem diria que um filme de 80 minutos que na sua grande essência, consiste apenas em vermos duas pessoas a falarem durante esse tempo, fosse tão empolgante de se ver? À semelhança de Before Sunrise, Jesse e Celine deambulam agora por Paris, reflectindo sobre os mais variados temas: Política e responsabilidade social; crescimento pessoal e os sonhos que servem de combustível para a vida; a brevidade do tempo e o facto de como é capaz de alterar profundamente (ou não) mentalidades e personalidades; questões do foro what if; amor.

O que acabo por achar mais interessante nestes filmes é o facto de o espectador ter estado presente desde o início da relação de ambas personagens e a ter acompanhado ao mesmo ritmo que as personagens a viveram: O que eles sabem um do outro, nós também sabemos. É um verdadeiro pedaço de vida que ficará para sempre marcado e registado em película.

Realismo, naturalidade e profundidade. São as três palavras de ordem presentes no argumento escrito por Hawke, Delpy e Linklater. O trio maravilha, que também tinha assinado o argumento de Before Sunrise, volta em grande forma oferecendo-nos um verdadeiro retrato sobre o que são relações. A racionalidade e a emoção coexistem perfeitamente neste argumento atribuindo-lhe uma profundidade e uma volatilidade extonteantes, na medida em que o espectador fica a conhecer intimamente as duas personagens. O facto de Before Sunset ter sido nomeado para os Óscares na categoria de Melhor Argumento Adaptado (essencialmente, por ser uma sequela. The Academy and their weird rules... ahaha) representa aquela que considero ser a escolha mais inspiradora da Academia nos últimos 15 anos.

Não querendo deixar de parte as maravilhosas interpretações de Ethan Hawke e Julie Delpy, acrescento ainda que é claro o envolvimento deles na escrita do argumento. Eles assumem com tamanha facilidade a pele das personagens que me deixam a pensar – “até que ponto é que este filme é autobiográfico?”. Aliás, uma das primeiras frases do filme é exactamente:

Jesse: Uh, well, I mean... isn't everything autobiographical?

Anyway, dado o final aberto de Before Sunset (com uma brilhante homenagem a Nina Simone. Toda a acção decorrente desde o momento em que chegam à casa de Celine constitui a minha cena preferida de todo o filme) muito se tem especulado sobre uma outra potencial continuação desta história. Quem sabe se em 2013 não iremos ter o prazer de ver um, erm, Before Midday? Desde que Hawke, Delpy e Linklater regressem, apenas tenho a dizer: Bring it on!


I like to think that perfection lies within the details, and Before Sunset is filled with them.
Nine years after they briefly met in Vienna, Austria (the setting of the first installment – Before Sunrise), Jesse (Ethan Hawke) and Celine (Julie Delpy) meet again in Paris, France. Jesse is, now, the author of a bestseller based on his little date nine years ago on the old continent and he’s wrapping up his tour to promote the book. It is in a small Parisian book store that the two characters cross each other’s paths, and that is the starting point of this film’s narrative.

Who would say that an 80 minutes feature, consisting essentially on two people walking around and talking, would be so spellbinding? Very much like Before Sunrise, Jesse and Celine walk through the streets of Paris, reflecting on the most diverse topics: Politcs and social responsibility; personal growth and dreams that fuel life; time and its effects in shaping mentalities and personalities; what if questions; love.

The thing I find to be the most interesting in both of these films is the fact that the viewer was there along with them right from the beginning. What Jesse knows about Celine (and vice-versa), we also know. It’s a true slice of life that will be forever captured on film.

Realism, naturalism and depth. Those are the three big words present in the script penned by Hawke, Delpy and Linklater. This wonderful trio, that had also written Before Sunrise’s script, came back in shape and bringing all their talent to the table. The three of them gave us a wonderful depiction about what relationships really are. Rationality and emotion co-exist in perfect harmony that grants the script an overall sense of depth and volatility, in the way that the viewer gets to know intimately these two characters. The fact Before Sunset got nominated for an Oscar in the Best Adapted Screenplay category (basically, just for being a sequel. The Academy and their weird rules… ahahha) represents their most inspired choice from the last 15 years.

Not wanting to leave out the marvelous performances by Ethan Hawke and Julie Delpy, I would like to add that their involvement in shaping up the script is pretty clear. They play their characters with such ease that I’m left thinking – “To what extend is this film autobiographical?”. Coincidentally, one of the first lines of this movie is exactly:

Jesse: Uh, well, I mean... isn't everything autobiographical?

Anyway, and given Before Sunset’s open ending (with a rather brilliant homage to Nina Simone. Everything that happens from the moment they get to Celine’s apartment constitutes my favorite scene of the entire film) a lot has been said whether they should continue the story with another film. Who knows if by 2013 we won’t have the pleasure to one, erm, Before Midday? As long Hawke’s, Delpy’s and Linklater’s names are attached to the project, I only can say: Bring it on!


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Looking Back At 2003.


The Lord of the Rings: The Return of the King
Dir. Peter Jackson


Finding Nemo
Dir. Andrew Stanton


Jeux d'Enfants [Love Me If You Dare]
Dir. Yann Samuel


Haute Tension [Haute Tension]
Dir. Alexandre Aja


House of Sand and Fog
Dir. Vadim Perelman


21 Grams
Dir. Alejandro González Iñárritu


Kill Bill: Vol. 1
Dir. Quentin Tarantino


The Station Agent
Dir. Thomas McCarthy


Les Invasions Barbares [The Barbarian Invasions]
Dir. Denys Arcand


Lost in Translation 
Dir. Sofia Coppola
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