sábado, 24 de maio de 2014

Performances I Fucking Love #03: Naomi Watts in Mulholland Drive

Betty é uma aspirante a actriz optimista, enérgica e esperançosa. Muda-se de Deep River, Ontario para a cidade dos sonhos com o objectivo de concretizar os seus. Diane é o total oposto. Amarga e vingativa, está presa na sua própria descendente espiral de auto-destruição.

As duas personagens são interpretadas por Naomi Watts, naquele que foi o desempenho que a colocou nas luzes da ribalta e que pavimentou o início da sua carreira em Hollywood.

Interpretar uma personagem fragmentada num filme não linear (presumo) que não deva ser uma tarefa particularmente fácil. Fazê-lo, demonstrando uma tremenda naturalidade e vulnerabilidade parece-me ser ainda mais complicado. Mas Naomi Watts sobrepõem-se ao desafio e deixa registada uma performance, que não só comprova o seu enorme talento, que seguramente resistirá ao teste do tempo.

A inocência, o desespero, a jovialidade, o derrotismo, o optimismo e a culpa coadunam-se num singular e magnético desempenho que serve de âncora para um filme que – por si só – é magistral. Naomi Watts é a mais sumarenta cereja em cima do bolo.



BETTY ELMS It’s strange calling yourself...
Bonus Link

sábado, 26 de abril de 2014

Boyhood (2014, Linklater)



Eis que chega o trailer do próximo projecto de Linklater. Audaz na sua génese, Boyhood aparenta ser um trabalho singular e ambicioso (caso mantenha o grau de sofisticação com que Linklater nos tem vindo a brindar, então poderemos estar muito bem na presença de um dos filmes do ano). Creio que ainda não tem data de estreia marcada para Portugal mas estarei lá quando esse dia chegar.

sábado, 19 de abril de 2014

Performances I Fucking Love #02: Daniel Day-Lewis in Gangs of New York

Já não é nenhuma novidade quando se diz que Daniel Day-Lewis é um dos maiores actores que alguma vez já passou pelo grande écran. A sua total entrega aos papéis que interpreta, bem como a sua dedicação à sétima arte, tornam Day-Lewis num actor lendário. Hoje, falo-vos da sua interpretação que mais me enche as medidas: Bill, the Butcher.

Num ranking de grandes vilões do cinema, não teria muitas dificuldades em colocar este Bill perto do topo da lista. Não tenho qualquer dificuldade também em afirmar que é uma das três melhores prestações da década passada (... juntemos também a década que está em curso). Essencialmente, Gangs of New York é o veículo de Day-Lewis e ele comanda cada minuto do filme com a sua presença magnética (consequentemente, coloca bem na sombra um respeitável elenco). Electrizante, feroz e audaz são alguns dos adjectivos que utilizaria para descrever Day-Lewis na sua segunda colaboração com Martin Scorsese.

Entregando-se de corpo e alma à sua personagem, Bill the Butcher resulta num desempenho que originou uma das mais memoráveis e tremendas prestações que já tive a felicidade de assistir. Bravo.


BILL I'm forty-seven. Forty-seven years old. You know how I stayed alive this long? All these years? Fear. The spectacle of fearsome acts. Somebody steals from me, I cut off his hands. He offends me, I cut out his tongue. He rises against me, I cut off his head, stick it on a pike, raise it high up so all on the streets can see. That's what preserves the order of things. Fear.

segunda-feira, 31 de março de 2014

100(k).

Sendo a primeira pessoa a admitir que não tenho uma atividade particularmente regular em matéria relacionada com este blog (my bad), foi com muita surpresa que reparei que há coisa de uns dias (ou melhor... semanas) atrás o Delusion Over Addiction passou a marca das 100 mil visualizações. Yay! No entanto, não percebo é o porquê especial deste post ser o responsável por sensivelmente 22% das mesmas surgindo destacadamente como o mais visto.

Aproveito este post para realçar duas pequenas (grandes) surpresas que vi nos últimos tempos. A primeira, Filth (2013, Baird). Politicamente incorrecto, o filme britânico conta com um ritmo frenético, um James McAvoy em grande forma, e com alguns dos momentos mais alucinantes que o ano passado teve para nos oferecer. Filth é um estrondo.

A segunda surpresa foi o Frances Ha (2013, Baumbach). A sua fotografia a preto e branco assenta o filme que nem uma luva, permitindo que um nostálgico sentimento paire enquanto o filme se desenrola sobre a vida de Frances (óptima interpretação de Gerwig). Frances é um espírito livre que persegue os seus sonhos apesar de enfrentar dissabores que poderiam facilmente moldar, não só a sua personalidade, mas também o seu rumo. Frances Ha é um pequeno charme de filme.

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