terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Performances I Fucking Love #01: Peter Lorre in M

Para mim, M – clássico de 1931, dirigido por Fritz Lang – pertence à santa trindade dos thrillers (juntamente com The Silence of the Lambs e Seven. É arrepiantemente atmosférico, com uma não menos acutilante fotografia a preto e branco e com uma tremenda interpretação de Peter Lorre enquanto Hans Beckert, serial killer.

Com uma das faces mais expressivas dos anos 30, Lorre tinha um tremendo magnetismo, que em M, contribui para elevar o suspense do filme. O seu assombroso desempenho tem tanto de sinistro como a personagem que encarna.

Na cena-chave do filme, Beckert é levado para uma cave onde inicialmente é confrontado por uma panóplia de silenciosos olhares que o julgam e o condenam pelas suas acções. Rapidamente se instala a insegurança, a desorientação e a apreensão. Não se desenvencilhando da situação em que se encontra, instala-se o desespero, a angústia e a raiva. E depois? A culpa. Segue-se um dos momentos que mais marcou a minha memória e um verdadeiro testamento ao estrondoso talento de Lorre.


HANS BECKERT What do you know about it? Who are you anyway? Who are you? Criminals? Are you proud of yourselves? Proud of breaking safes or cheating at cards? Things you could just as well keep your fingers off. You wouldn't need to do all that if you'd learn a proper trade or if you'd work. If you weren't a bunch of lazy bastards. But I... I can't help myself! I have no control over this, this evil thing inside of me, the fire, the voices, the torment!
SCHRAENKER Do you mean to say that you have to murder?
HANS BECKERT It's there all the time, driving me out to wander the streets, following me, silently, but I can feel it there. It's me, pursuing myself! I want to escape, to escape from myself! But it's impossible. I can't escape, I have to obey it. I have to run, run... endless streets. I want to escape, to get away! And I'm pursued by ghosts. Ghosts of mothers and of those children... they never leave me. They are always there... always, always, always!, except when I do it, when I... Then I can't remember anything. And afterwards I see those posters and read what I've done, and read, and read... did I do that? But I can't remember anything about it! But who will believe me? Who knows what it's like to be me? How I'm forced to act... how I must, must... don't want to, must! Don't want to, but must! And then a voice screams! I can't bear to hear it! I can't go on! I can't... I can't...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

2013 Revisited.

Em boa hora retoma-se a actividade do blog e, para tal, nada melhor que dar uma rápida vista de olhos por aquilo que 2013 (me) trouxe de melhor e de pior, cinematograficamente (?) falando.


Before Midnight é, ainda, o filme do ano. É o culminar de uma das mais impecáveis trilogias do cinema. O argumento mantém-se astuto, mordaz e relevante tal como o trio Linklater, Hawke e Delpy já nos tinha tão bem habituado com os filmes predecessores. Este terceiro capítulo afigura-se como sendo o mais denso e disruptivo da saga, contrastando bem com o pano de fundo que é a idílica Grécia. A sua crua natureza revela o desgaste que o passar do tempo provocou na relação que vimos nascer entre Jesse e Céline, quando se conheceram num comboio com destino a Viena, e que reacendeu quando se reencontraram em Paris 9 anos antes. Faz lembrar – naturalmente – Sunrise e Sunset e vemos a forma de como as personagens foram magistralmente desenvolvidas ao longo de 18 anos. A trilogia é um tremendo exercício de escrita e de interpretação, no qual Before Midnight é a cereja em cima do bolo. 

Rapidamente, outros filmes que me encheram as medidas foram Her e Gravity. O primeiro por talvez ser o trabalho mais detalhadamente original dos últimos anos, e o segundo pelo portento que é no campo da realização.


12 Years a Slave, apesar de bem construído, deixa a sensação que lhe falta algo. Dallas Buyers Club e Captain Philips revelaram ser agradáveis surpresas. The Wolf of Wall Street faz pensar para onde voaram 3 horas de filme (óptimo trabalho de Thelma Schoonmaker, para variar) e é bem capaz de representar o mais autêntico entretenimento do ano.

A desilusão do ano veio com o American Hustle (e não tão distante teríamos o Only God Forgives do Refn). Não creio que traga absolutamente nada de novo num género que necessita urgentemente de alguma frescura. Um elenco sólido e uma banda sonora cool não o tornam num autêntico desperdício de tempo, mas ainda assim. Não há muito mais por onde se pegar. 

O pior filme? Oblivion. Yeah... no.

sábado, 22 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012: E chegamos ao #01.

Antes de partirmos para a revelação daquele que considero ter sido o melhor filme que vi do ano passado, aproveito para deixar umas pequenas palavras sobre o ano. Por meio de filmes interessantes, e por entre filmes menos interessantes, tenho para mim que tirando uns quantos exercícios, 2012 será um ano que facilmente será olvidado. Olho para outros anos e – em boa parte deles – consigo identificar filmes mais arrojados, completos e satisfatórios. Basta até olhar para o presente ano... se fosse a considerar os 3 filmes que já vi deste ano nesta lista, um deles colocar-se-ia num tão distante primeiro lugar that it’s not even funny.

Adiante, com um pequeno recap do que por aqui já passou.


E agora, sem mais demoras, o número um de 2012: The Impossible. Podem ler aqui o que escrevi sobre ele na altura que o vi. As ideias mantém-se as mesmas.



"É fortemente emocional, ainda que tenha a ocasional cena em que a intelectualidade (forçada) venha um pouco mais à tona. Contudo, estas poucos momentos não põem em causa a experiência que o filme pretende transmitir, dado que The Impossible se alimenta, em primeira instância, da agonia, desespero e falta de rumo das suas personagens, e em segunda instância, dos laços que as unem."
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...