segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

2013 Revisited.

Em boa hora retoma-se a actividade do blog e, para tal, nada melhor que dar uma rápida vista de olhos por aquilo que 2013 (me) trouxe de melhor e de pior, cinematograficamente (?) falando.


Before Midnight é, ainda, o filme do ano. É o culminar de uma das mais impecáveis trilogias do cinema. O argumento mantém-se astuto, mordaz e relevante tal como o trio Linklater, Hawke e Delpy já nos tinha tão bem habituado com os filmes predecessores. Este terceiro capítulo afigura-se como sendo o mais denso e disruptivo da saga, contrastando bem com o pano de fundo que é a idílica Grécia. A sua crua natureza revela o desgaste que o passar do tempo provocou na relação que vimos nascer entre Jesse e Céline, quando se conheceram num comboio com destino a Viena, e que reacendeu quando se reencontraram em Paris 9 anos antes. Faz lembrar – naturalmente – Sunrise e Sunset e vemos a forma de como as personagens foram magistralmente desenvolvidas ao longo de 18 anos. A trilogia é um tremendo exercício de escrita e de interpretação, no qual Before Midnight é a cereja em cima do bolo. 

Rapidamente, outros filmes que me encheram as medidas foram Her e Gravity. O primeiro por talvez ser o trabalho mais detalhadamente original dos últimos anos, e o segundo pelo portento que é no campo da realização.


12 Years a Slave, apesar de bem construído, deixa a sensação que lhe falta algo. Dallas Buyers Club e Captain Philips revelaram ser agradáveis surpresas. The Wolf of Wall Street faz pensar para onde voaram 3 horas de filme (óptimo trabalho de Thelma Schoonmaker, para variar) e é bem capaz de representar o mais autêntico entretenimento do ano.

A desilusão do ano veio com o American Hustle (e não tão distante teríamos o Only God Forgives do Refn). Não creio que traga absolutamente nada de novo num género que necessita urgentemente de alguma frescura. Um elenco sólido e uma banda sonora cool não o tornam num autêntico desperdício de tempo, mas ainda assim. Não há muito mais por onde se pegar. 

O pior filme? Oblivion. Yeah... no.

sábado, 22 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012: E chegamos ao #01.

Antes de partirmos para a revelação daquele que considero ter sido o melhor filme que vi do ano passado, aproveito para deixar umas pequenas palavras sobre o ano. Por meio de filmes interessantes, e por entre filmes menos interessantes, tenho para mim que tirando uns quantos exercícios, 2012 será um ano que facilmente será olvidado. Olho para outros anos e – em boa parte deles – consigo identificar filmes mais arrojados, completos e satisfatórios. Basta até olhar para o presente ano... se fosse a considerar os 3 filmes que já vi deste ano nesta lista, um deles colocar-se-ia num tão distante primeiro lugar that it’s not even funny.

Adiante, com um pequeno recap do que por aqui já passou.


E agora, sem mais demoras, o número um de 2012: The Impossible. Podem ler aqui o que escrevi sobre ele na altura que o vi. As ideias mantém-se as mesmas.



"É fortemente emocional, ainda que tenha a ocasional cena em que a intelectualidade (forçada) venha um pouco mais à tona. Contudo, estas poucos momentos não põem em causa a experiência que o filme pretende transmitir, dado que The Impossible se alimenta, em primeira instância, da agonia, desespero e falta de rumo das suas personagens, e em segunda instância, dos laços que as unem."

terça-feira, 11 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012 - #02. Zero Dark Thirty (Bigelow)


Aproximamo-nos do número um, e o filme que ocupa a segunda posição desta contagem é o sucessor do multi-premiado The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow: Zero Dark Thirty.

Focando-se na maior e mais mediática caça ao homem levada a cabo pelos EUA, Zero Dark Thirty deu que falar no ano volvido, levantando questões sobre o rigor dos eventos que nele são retratados e (re)acendendo discussões sobre tortura. Debruça-se, também, sobre a fina linha que separa a preseverança da obsessão, distanciando-se emocionalmente da história que retrata.

A mais que habilidosa mão de Kathryn Bigelow serve perfeitamente o filme e não permite que o foco da história se extenda para outros assuntos que não o da captura de Osama Bin Laden. Não é dada qualquer margem para explorar o background das suas personagens, apenas para fazer desenrolar os acontecimentos. É uma realização distante, altamente controlada e eficaz, o que aliada a um argumento firme, torna possível encontrar em Zero Dark Thirty momentos de tensão do mais alto nível. 

A comandar o ecrã desde a sua primeira cena está Jessica Chastain, numa interpretação nada menos que explosiva. Incansável, destemida e corajosa, Maya está determinada a encontrar Bin Laden e nada a fará parar até que suceda na sua missão. Em Zero Dark thirty, Chastain retrata todas essas características com uma impressionante força e com um magnetismo imensurável. A meteórica ascensão de Jessica Chastain em Hollywood está mais que justificada.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012 - #03. Life of Pi (Lee)


Foi um dos grandes vencedores da passada cerimónia dos Óscares, arrecadando quatro estatuetas, estando a de Melhor Realizador e a de Melhor fotografia entre elas.

Life of Pi foi para mim uma das grandes surpresas do ano. Não colocando em causa a tamanha habilidade dos artesões que estiveram por detrás de toda a produção, mas a sinopse do filme, e até mesmo o trailer (que apesar de encher o olho), não tinham captado de forma alguma o meu interesse. “Um rapaz e um tigre num barco durante duas horas? Yeah... I’m gonna go ahead and watch something else”. O passa-a-palavra do filme foi, no entanto, constantemente bom. Lá dei o braço a torcer e vi o filme.

Um início descontraído e bem-humorado (Piscine Molitor, ri-me), Life of Pi, debruça-se sobre o laço que Pi (do anteriormente mencionado Piscine) estabelece com um Tigre – chamado Richard Parker! How awesome is that? –, num bote salva-vidas, após um naufrágio. E é uma relação que se extende para mais do que a mera questão da sobrevivência. Com uma abordagem narrativa muito ligada à espiritualidade, Ang Lee leva o livro de Yann Martel ao grande écrã com uma enorme destreza artística.

Por entre algumas das mais espectaculares imagens que 2012 teve para oferecer, em Life of Pi existe uma história que é contada com um enorme tacto (ainda que recaia no velho âmbito do “triunfo sobre a adversidade” ... hm. Creio que é um tema que será recorrente aqui nesta lista) e um uso soberbo do CGI, que deverá constituir uma referência no estado da arte das técnicas de animação atuais. No final de contas, é um exercício singular, elegante e imensuravelmente belo.
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