terça-feira, 11 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012 - #02. Zero Dark Thirty (Bigelow)


Aproximamo-nos do número um, e o filme que ocupa a segunda posição desta contagem é o sucessor do multi-premiado The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow: Zero Dark Thirty.

Focando-se na maior e mais mediática caça ao homem levada a cabo pelos EUA, Zero Dark Thirty deu que falar no ano volvido, levantando questões sobre o rigor dos eventos que nele são retratados e (re)acendendo discussões sobre tortura. Debruça-se, também, sobre a fina linha que separa a preseverança da obsessão, distanciando-se emocionalmente da história que retrata.

A mais que habilidosa mão de Kathryn Bigelow serve perfeitamente o filme e não permite que o foco da história se extenda para outros assuntos que não o da captura de Osama Bin Laden. Não é dada qualquer margem para explorar o background das suas personagens, apenas para fazer desenrolar os acontecimentos. É uma realização distante, altamente controlada e eficaz, o que aliada a um argumento firme, torna possível encontrar em Zero Dark Thirty momentos de tensão do mais alto nível. 

A comandar o ecrã desde a sua primeira cena está Jessica Chastain, numa interpretação nada menos que explosiva. Incansável, destemida e corajosa, Maya está determinada a encontrar Bin Laden e nada a fará parar até que suceda na sua missão. Em Zero Dark thirty, Chastain retrata todas essas características com uma impressionante força e com um magnetismo imensurável. A meteórica ascensão de Jessica Chastain em Hollywood está mais que justificada.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012 - #03. Life of Pi (Lee)


Foi um dos grandes vencedores da passada cerimónia dos Óscares, arrecadando quatro estatuetas, estando a de Melhor Realizador e a de Melhor fotografia entre elas.

Life of Pi foi para mim uma das grandes surpresas do ano. Não colocando em causa a tamanha habilidade dos artesões que estiveram por detrás de toda a produção, mas a sinopse do filme, e até mesmo o trailer (que apesar de encher o olho), não tinham captado de forma alguma o meu interesse. “Um rapaz e um tigre num barco durante duas horas? Yeah... I’m gonna go ahead and watch something else”. O passa-a-palavra do filme foi, no entanto, constantemente bom. Lá dei o braço a torcer e vi o filme.

Um início descontraído e bem-humorado (Piscine Molitor, ri-me), Life of Pi, debruça-se sobre o laço que Pi (do anteriormente mencionado Piscine) estabelece com um Tigre – chamado Richard Parker! How awesome is that? –, num bote salva-vidas, após um naufrágio. E é uma relação que se extende para mais do que a mera questão da sobrevivência. Com uma abordagem narrativa muito ligada à espiritualidade, Ang Lee leva o livro de Yann Martel ao grande écrã com uma enorme destreza artística.

Por entre algumas das mais espectaculares imagens que 2012 teve para oferecer, em Life of Pi existe uma história que é contada com um enorme tacto (ainda que recaia no velho âmbito do “triunfo sobre a adversidade” ... hm. Creio que é um tema que será recorrente aqui nesta lista) e um uso soberbo do CGI, que deverá constituir uma referência no estado da arte das técnicas de animação atuais. No final de contas, é um exercício singular, elegante e imensuravelmente belo.

domingo, 2 de junho de 2013

As minhas escolhas 2012 - #04. Holy Motors (Carax)


O número quatro desta contagem já não é nenhum estranho a este blog.

Depois de revisitado, creio que será um filme que irá ter uma evolução semelhante à que tive com filmes como Mulholland Drive ou Lost in Translation: Filmes que numa primeira instância não me disseram muito e que valeram pela experiência de os ter visto, mas à medida que os vou revisitanto, são filmes cujos pequenos detalhes tornam-nos amplamente fascinantes. É o caso de Holy Motors.

Vejam aqui o que escrevi sobre ele quando o vi pela primeira vez.

terça-feira, 28 de maio de 2013

As minhas escolhas 2012 - #05. Seven Psychopaths (McDonagh)


As expectativas que tinha para o sucessor de In Bruges (a seu jeito, é um filme refrescante e peculiar) eram algo elevadas, e apesar de não terem sido exactamente cumpridas, Seven Psychopaths mantém a irreverência que McDonagh havia demonstrado no seu primeiro filme e marca, assim, a primeira entrada do meu Top 5 de 2012. 

Com nomes como Colin Farrell, Sam Rockwell (standout), Christopher Walken e Woody Harrelson a comporem o elenco, Seven Psychopaths não se inibe e ostenta orgulhosamente a loucura da estória que retrata. É, também, (inesperadamente) violento. O argumento recorre a um humor negro que bem poderia ter a assinatura de Quentin Tarantino. Agora que penso nisto, creio que ainda posso dizer que faz lembrar (ainda que em menor escala) algo que os irmãos Coen pudessem ter vindo a abraçar. 

À semelhança de Rust and Bone, o filme dos sete psicopatas tem vindo a ganhar peso na consideração que tenho por ele. Tem, sem grandes dificuldades, uma das minhas cenas preferidas do ano passado: A encenação do final alternativo proposto por Sam Rockwell para o filme que o Colin Farrell tem dificuldade em escrever. Palavras não descrevem o quão awesome essa cena é. 

Continuo muito curioso para ver o que é que Martin McDonagh irá trazer no futuro.

terça-feira, 14 de maio de 2013

As minhas escolhas 2012 - #06. De Rouille et d'Os [Rust and Bone] (Audiard)



A um pequeno passo do Top 5, coloco o De Rouille et d'Os. É um filme pelo qual a minha apreciação vai aumentando à medida que mais penso nele e que o tempo vai passando. Talvez isso se deva às cruas e fortes interpretações de Matthias Schoenaerts e de Marion Cotillard. Talvez isso aconteça pela densa e pesada carga emocional que o argumento porta. Ou talvez pelo facto de a subtil banda sonora não exagerar em nada os momentos dramáticos, dando-lhes apenas o toque necessário para que se torne memorável. Poderá ser ainda por causa da fotografia sublime e da sólida realização. Que esta apreciação se mantenha e que continue a aumentar.
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