segunda-feira, 1 de abril de 2013

As minhas escolhas 2012 - #10. Amour (Haneke, 2012)


À (quase) semelhança do que fiz o ano passado, chegou a altura de elencar o que mais me agradou de 2012. Em vez de estar a percorrer algumas categorias, deixarei apenas os 10 filmes que mais se distinguiram dos (poucos, sucks) outros que vi de 2012. Esta listagem irá ser o programa dos próximos posts, até chegarmos ao #1. Os filmes que aqui entram apenas obedecem ao critério de terem sido lançados, nos respetivos países de origem, no ano de 2012. Preciosidades à parte, deixo-vos com a primeira entrada:


Amour, de Michael Haneke – Palme d’Or no Festival de Cannes e um dos nomeados ao Oscar de Melhor Filme –, ocupa a décima posição. Com duas tremendas interpretações a cargo de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, o distante e frio olhar do realizador retrata uma pesada terceira idade, angustiosa e penosa no seu culminar.
De uma impressionante densidade e com uma ampla carga reflexiva, como Haneke já nos tem vindo a habituar, Amour mantém uma aura incómoda de que algo sofrível irá acontecer, tornando a experiência de o ver tanto desconfortável, como intrigante. Contudo, parte do impacto perde-se quando o início do filme é marcado pela revelação do desfecho (I absolutely hate when that happens!). É, provavelmente, o mais acessível filme que do realizador até à data. E a Rita Blanco entra no filme! Yay!

domingo, 3 de março de 2013

Damages


A jovem hotshot Ellen Parsons (Rose Byrne) tem uma forte ambição e uma determinante força de vontade em marcar o universo legal com o seu nome. Patty Hewes (Glenn Close) é uma das mais proeminentes e temidas figuras do mundo da Advocacia e acolhe Ellen como a sua protégée. Com casos de alta exposição mediática, Ellen vê em Patty uma oportunidade brutal para alcançar o seu sonho, e Patty vê nos conhecimentos que Ellen tem uma mais valia para vencer o seu caso. Contudo, em Damages nada é o que aparenta ser.

“I was warned” – Ellen Parsons

Aspirações, ilusões, decepções, traições e conspirações constituem a norma em Damages. A fórmula de Damages assenta numa narrativa fragmentada, em que os eventos passados, presentes e futuros se misturam para aumentar os sentimentos de confusão e de desconfiança que assolam cada episódio da série. 

Apesar de ser algo inconstante (as temporadas 1, 4 e 5 são bem mais interessantes que as temporadas 2 e 3), Damages é bem executado através da forte caracterização das suas personagens, do rápido ritmo com o qual a acção se desenrola, de um argumento repleto de trama, intriga e twists, e das ilustres interpretações de Close e Byrne (ao longo das cinco temporadas), bem como de jogadores secundários como Ivanek (T1), Tomlin (T3) ou Baker (T4).

Na última temporada, que evoca Julian Assange e o caso WikiLeaks, assistimos a um contínuo confronto entre Parsons e Hewes. Diria mesmo que assistimos ao derradeiro confronto, dado que a série evolui nesse sentido: no sentido de colocar as suas duas personagens centrais em conflito direto, sem bullshits, com o objetivo último de ver quem ganha o julgamento. E ao longo da quinta temporada, a questão fica sempre a pairar no ar. Quem sairá vencedora no confronto Hewes vs. Parsons? Será que a pupila ultrapassa a Mestre? Contudo e depois de algumas viragens no argumento, o final de Damages apresenta-se como algo anti-climático. Não obstante, o percurso explosivo percorrido, até lá, é (e será) recordado como um estrondoso BANG.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Looking Back At 1990

#5
Edward Scissorhands
Dir. Tim Burton

#4
Misery
Dir. Rob Reiner

#3
Miller's Crossing
Dirs. Joel and Ethan Coen

#2
Wild At Heart
Dir. David Lynch

#1
Goodfellas
Dir. Martin Scorsese

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

The Impossible (2012, Bayona)


Em 2004, um dos maiores e mais significativos terramotos alguma vez registados teve o seu epicentro no sudeste asiático. Seguido de um massivo tsunami, a memória desse Natal, para inúmeras famílias, fica marcada pela dor e fragmentada pelos destroços da enorme catástrofe. The Impossible relata a experiência de uma família (Naomi Watts, Ewan McGregor e Tom Holland assumem, brilhantemente, os papeis centrais) que se viu envolvida no meio de todo aquele caos.

Cinco anos após o surpreendente El Orfanato, Juan Antonio Bayona volta à carga e transporta para o grande écrã os eventos acima mencionados e, com The Impossible, cria um afectante, poderoso e tocante filme. Recorrendo a um irrepreensível uso da sonoplastia, a segunda longa metragem de Bayona causa arrepios em diversos momentos e, nesse campo, a chegada – ou até mesmo os breves instantes antecedentes – da monstruosa onda figura-se como uma das cenas mais tensas do ano.

Nas suas interpretações, Ewan McGregor (a chamada telefónica é dolorosa de ser ver) e Naomi Watts (só de lembrar a simples imagem dela a agachar-se para se proteger do iminente choque é razão para sentir aquele frio arrepio) mantêm o alto calibre com que nos têm vindo a brindar ao longo das suas ilustres carreiras, conferindo uma grande empatia às suas personagens. Tom Holland é revelatório e, caso decida prosseguir com a carreira de actor, poderá vir a ser uma das futuras estrelas de Hollywood.

É fortemente emocional, ainda que tenha a ocasional cena em que a intelectualidade (forçada) venha um pouco mais à tona. Contudo, estas poucos momentos não põem em causa a experiência que o filme pretende transmitir, dado que The Impossible se alimenta, em primeira instância, da agonia, desespero e falta de rumo das suas personagens, e em segunda instância, dos laços que as unem.


9/10.
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