E hoje uma das mais (para não dizer a mais) proeminentes figuras da sétima arte faria anos. Um senhor!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Looking Back At 1995
Leaving Las Vegas
Dir. Mike Figgis
Heat
Dir. Michael Mann
La Cérémonie
Dir. Claude Chabrol
Se7en
Dir. David Fincher
domingo, 8 de abril de 2012
Contagion (2011, Soderbergh)
Com um nome sonante por detrás da
câmara (Steven Soderbergh) e com um elenco de luxo em frente dela (Lawrence
Fishbourne, Kate Winslet, Marion Cotillard, Matt Damon, Jude Law, Gwyneth
Paltrow entre outros), Contagion é
um filme eficaz durante a sua duração mas que não é necessariamente marcante.
A sua abordagem é bastante
clínica e limita-se a expor «factos», não dando grande margem para o
desenvolvimento das personagens que se encontram no epicentro de uma terrível
epidemia – o que por um lado é compreensível. Com os vários subplots que compõem Contagion, precisaríamos de um filme
incrivelmente mais longo para podermos ver alguns tons de profundidade nas
personagens. O que me leva ao ponto que mais apreciei no filme: a montagem.
Levada a cabo por Stephen Mirrione, a fluidez da narrativa é muito bem
conseguida, e não são criados, por uma única vez, momentos despropositados e
que em nada acrescentam à história.
Cliff Martinez, compositor da
banda sonora, consegue injectar os necessários sentimentos febris de paranóia
no seu trabalho, que em grande parte potenciam a atmosfera do filme (juntamente com a sua composição para o filme Drive, podemos dizer que o senhor teve um ano em grande). Quanto ao competente
elenco: fazem o seu trabalho, mas nenhum deles se destaca dos demais. Contagion é um filme sólido,
interessante e capaz de captar a atenção durante duas horas, mas não perdem
nada se optarem não o ver.
sábado, 7 de abril de 2012
Product Placement e a intenção de compra (2)
Continuando o
tema levantado aqui, olhemos para a evolução do conceito de Product Placement ao longo da sua
história. Quando é que se iniciou?
A integração de
produtos – cuja marca é amplamente visível – em cenas de filmes é uma técnica
que remonta para os tempos primordiais de Hollywood, até mesmo antes da
Primeira Grande Guerra Mundial (Galician, 2004): Em 1916, o estúdio
LKO/Universal produziu um filme mudo com o título explícito She Wanted a Ford. Em 1929, Alfred
Hitchcock filmou uma particular cena que denotava um luminoso reclame da marca
Gordon’s Gin, no seu Blackmail. Posteriormente,
na sátira de Stanley Kubrick Dr.
Strangelove: Or How I learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964) uma
máquina de venda de Coca-Cola é proeminentemente exposta, tornando-se relevante
para a narrativa.
A inclusão de
produtos dentro de filmes intensificou-se durante os anos 30, quando os
estúdios “devagarmente desenvolveram a ideia de promover produtos em filmes
enviando tranches de argumentos (detalhadas shot-by-shot)
com oportunidades de comunicação claramente indicadas a marketeers” (Galician, 2004). A Metro-Goldwyn-Mayer foi o primeiro
estúdio a abrir o seu próprio escritório de product
placement, em 1939 e a Walt Disney começou a comercializar merchandise dos
seus, na altura, mais populares filmes.
Contudo, o
interesse dos profissionais de marketing aguçou mais tarde. O momento que
activou esse interesse prende-se com a estreia do filme de Arthur Penn, Bonnie and Clyde (1967). Nesta altura, a
venda de boinas femininas aumentou exponencialmente nos EUA. Sugere-se que
parte deste femómeno tenha ocorrido por causa da explosiva obra de Penn, uma
vez que nesse filme, a Faye Dunaway “orgulhosamente enverga a sua boina ao
longo da duração do filme” (Lehu, 2009). No entanto, o evento que elevou a
atenção a este tema a altos céus foi precisamente o tão acarinhado filme de
Steven Spielberg – E.T. The
Extra-Terrestial, em 1982: Numa particular cena, o actor Henry Thomas usa
uma marca de doces – Reese’s Pieces da Hershey – para atrair o E.T. O filme foi
um grande sucesso junto do box-office, gerando um total de 359 milhões de
dólares em receitas. Três meses após a estreia de E.T., a Hershey anunciava que
as vendas dos doces retratados no filme aumentaram 65% (Gregorio e Sung, 2010)
durante esse período.
Testemunhando o
impacto comercial do product placement,
os marketers começaram a estar cada vez mais envolvidos com esta forma de
comunicação. Em 1998, a audiência norte-americana para filmes de Hollywood
estimava-se em 1,5 mil milhões de espectadores, enquanto que assumia-se que a
audiência internacional fosse o dobre, 3 mil milhões, portanto. Apercebendo-se
da enorme audiência que os filmes provenientes de Hollywood tinham, os
marketers concluiram que estes filmes serviam como excelentes veículos de
comunicação, passíveis de influenciar consumidores um pouco por todo o mundo.
Em 1998, cerca de 1.000 marcas incorporavam o product placement nas suas estratégias de comunicação.
E nos dias de hoje?
Fontaine (2006)
argumenta que a comunicação feita nos meios tradicionais perdeu a sua outrora
eficácia de ouro. Com a evolução do comportamento do consumidor, hoje em dia os
consumidores são cada vez mais conscientes, difícies de impressionar, complexos
e selectivos. Num mundo em que estes são constantemente bombardeados com
estímulos comunicacionais, é nos impossível processar toda a informação de que
somos alvo diariamente. Este contexto suporta a necessidade de usar formas
diferentes de comunicação. Com a saturação dos media tradicionais, a indústria do product placement viu o seu ritmo de crescimento acelarar
intensivamente, nestes últimos anos.
Sendo alvo de
elevados investimentos, o product
placement é agora uma billion-dollar
industry. Entre 2004 e 2008, o investimento nesta forma híbrida de
comunicação beneficiou de uma franca expansão, registando um CAGR (Compound Annual Growth Rate) de 27,1%.
Em 2009, as marcas nos EUA investiram 3,61 mil milhões de dólares nesta técnica
de comunicação – representando o primeiro decréscimo no investimento nesta
prática. Apesar deste declínio ser facilmente explicado pela crise económica
que tem assolado a economia mundial, o investimento em product placement é expectável de assistir a um forte crescimento
nos próximos 5 anos.
To be
continued.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Chinatown (1974, Polanski)
“You’ve got
a nasty reputation Mr. Gittes. I like that.”
Noah Cross
Um homem soluça ao descobrir que
a sua mulher o engana. É Jake Gittes (Jack Nicholson) que lhe mostra as fotos
após ter sido contratado para levantar as suspeitas que esse homem tinha. Private Investigator. A intriga está tão
presente na vida de Gittes que o seu passado assola constantemente a sua mente.
Chinatown. Algo correra mal.
“Mrs. Mulwray” contacta Gittes
para resolver aquele que seria apenas mais um caso de traição matrimonial. Um
misterioso caso que depressa se torna mais que uma simples e típica cena de
adultério. Los Angeles, uma cidade marcada por uma severa seca. A construção de
barragens é planeada para catapultar e impulsionar a cidade dos anjos, ainda
que isso ocorra a custo do desespero de terceiros. Ainda assim, o ciclo de
escoamento das águas na metrópole californiana assume padrões algo estranhos.
Não é sistemática.
Evelyn Mulwray. Femme fatale. A entrada de Evelyn na
vida de Jake acontece de forma abrupta. Primeiro com o intuito de tirar a pratos
limpos tudo o que vem nos jornais sobre o caso do seu marido. Mas é uma relação
que se mantém, em grande parte, por insistência de Gittes. A sua longa
experiência no sub-mundo da investigação privada diz-lhe o contrário daquilo
que lhe é dito. Chinatown. Um lugar que pesa.
Seja em momentos mais intimistas
onde a frágil natureza de Evelyn Mulwray resvalece, seja em momentos amplamente
marcados com uma crescente aura misteriosamente sinistra que paira nas imagens
que compõem o filme, a obra de Roman Polanski é acima de tudo, um fulcral
exercício na escrita de argumentos. E isso é particularmente visível no
portentoso clímax do filme. E que momento esse! A tenebrosa sirene. A lúgubre
noite. A impunidade do mau carácter a reinar por todo o caos. Isto é Chinatown,
em todo o seu esplendor.
“Forget it Jake. It’s Chinatown”
E enquanto uns dizem para
esquecer e pôr tudo atrás das costas, prefiro não o fazer. Prefiro ter todo o
brilhantismo de Chinatown bem
presente na mente. Prefiro lembrar-me da assombrosa interpretação de John
Huston que, com uma presença muito limitada, consegue roubar o espectáculo.
Prefiro lembrar-me da icónica revelação – uma autêntica bomba atómica. Prefiro
lembrar-me da suave maneira de como o mistério se desenrola. Prefiro lembrar-me
do imponente final. Prefiro lembrar-me de Chinatown.
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