Um precioso
filme. O épico de David Fincher conta a história de um homem que nasceu sob
circunstâncias invulgares. É a história de um homem que rejuvenesce à medida
que todos os que o rodeiam envelhecem. Um elegante exercício que cumpre
perfeitamente aquele que deveria ser um dos principais objectivos de qualquer
filme: O de contar uma boa história.
Adaptado do
conto de F. Scott Fitzgerald com o mesmo nome, a delicada narrativa
desenrola-se num ritmo muito próprio sem nunca descurar as suas personagens nem
a importância de cada cena que é retratada. O Tempo é uma inabalável força,
capaz de moldar momentos e personalidades. Capaz de criar e de destruir. E
enquanto uns são atingidos por relâmpagos 7 vezes durante um vida, ou enquanto
uns dançam, David Fincher cria aquele que considero ser o melhor
filme de 2008 (não muito distanciado do primoroso ENTRE LES MURS de Laurent
Cantent e do esplêndido documentário ENCOUNTERS AT THE END OF THE WORLD de
Werner Herzog. Juro que nunca irei perceber como é que num ano destes algo como
o SLUMDOG MILLIONAIRE limpa tudo o que é prémio. Foi simplesmente o Flavour of the month. Ugh).
Devo dizer que
não via o THE CURIOUS CASE OF
BENJAMIN BUTTON desde que esteve em exibição. Já nessa altura tinha ficado
extremamente satisfeito com o resultado final daquele que foi um dos meus
filmes mais antecipados de então. Lembro-me de ter achado que a sua duração era
ligeiramente excessiva e que um pequeno corte ali e outro acolá apenas o
benificiariam. Revisitei-o há muito pouco tempo e a minha apreciação por ele
apenas aumentou. O que anteriormente me pareceu ser longo demais agora parece-me
perfeito na sua duração. A sublime banda sonora de Alexandre Desplat enaltece a
beleza das mais variadas cenas e complementa o filme de uma forma requintada.
Assenta-lhe que nem uma luva.
Todos os momentos
que se passam em Murmansk são capazes de ser os meus preferidos: A fotografia
está particularmente bem definida, quase como se projectasse uma misteriosa e
sedutora aura sobre aquele hotel, onde dois indivíduos se encontram todas as
noites e onde os dissabores da vida são explanados como inevitáveis
consequências do tempo. Neste curto segmento, Tilda Swinton interpreta a sua personagem de uma maneira tão effortless fazendo realçar uma grande
humanidade na sua personagem. Surgem, também, aqueles que considero serem os
momentos mais fortes de Brad Pitt enquanto Benjamin Button.
“For what it's worth: it's never too
late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time
limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no
rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make
the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel
things you never felt before. I hope you meet people with a different point of
view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I
hope you have the strength to start all over again.”
Um clássico
instantâneo? Apenas o tempo dirá. Creio que sofreu um pouco com as acusações de
ser um FORREST GUMP 2. São acusações que pouco me dizem. Num ambiente onde tudo
se recicla o importante é que o resultado final seja sólido e coerente. E a meu
ver, temos aqui um filme muito peculiar, muito próprio e com um tremendo
coração.



















