segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Inside Job (2010, Ferguson)



Um documentário que põe as cartas na mesa e que explica de uma forma incisiva as orgiens que estão por detrás da grande crise financeira que vivemos actualmente, despoletada pela falência do grande banco de investimento Lehman Brothers. Pelo meu dinheiro (no pun intended), Inside Job afigura-se como o melhor filme que vi de 2010.

Criatividade. Algo que procuramos nas mais diversas áreas das nossas vidas. É algo que se deseja, pois cria distinção. O documentário de Charles Ferguson reitera a ideia que uma vez ouvi – a de que a criatividade deverá ser um dos elementos impulsionadores num negócio: quer seja no desenvolvimento de produtos e serviços, de campanhas de marketing, de estratégias de operações que pretendam maximizar a utilidade de todos os recursos disponíveis. Contudo, esta ideologia pode tornar-se perigosamente desastrosa no mundo financeiro, causando terríveis repercusões macroeconómicas.

É um filme que suscita angústia e frustração perante a avareza desmedida humana - "como se ganhar milhões por ano não fosse suficiente, então vamos lá fazer uns esquemas para ganhar ainda mais. O quê? O outro ganhou 10 milhões de dólares a mais que eu? Inadmissível, o que posso fazer para ganhar ainda mais e consolidar a minha importância neste meio? Já sei, vou causar o despedimento e o desalojamento de milhões de pessoas". Enfim.

O papel das agências de rating nesta crise é, então, extremamente cómica. Quando inquiridos sobre o facto das suas agências classificarem determinados investimentos como AAA (quando na verdade não passavam de lixo), os representantes máximos, na altura, da Moody's, da Standard & Poor's e da Fitch, limitam-se a referir que a classificação que atribuem aos investimentos é apenas a opinião deles e que o mercado não se deveria reger por elas. lol.

A contaminação chega ainda ao mundo académico, onde as pesquisas de figuras proeminentes do universo económico são subornadas para reflectirem resultados que melhor agradem aos principais players neste sector. 

É algo verdadeiramente assustador.




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DOA Random Survey VIII


Façam as vossas escolhas!

#1 A Trilogia Bourne: Identity, Supremacy ou Ultimatum?
#2 Qual o vosso filme preferido a preto e branco?
#3 Os filmes de Roman Polanski: Rosemary's Baby, Chinatown ou The Pianist?
#4 Qual é o melhor realizador da actualidade?
#5 Schindler's List ou Saving Private Ryan?

Nota: Gostava de obter sugestões vossas sobre possíveis questões futuras, por isso se se lembrarem de algumas ou se gostarem de ver alguma questão que ainda não tenha sido abordada, enviem-nas para: notesonmyfilms@gmail.com 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Super 8 (2011, Abrams)


Do produtor de séries como Lost e realizador de filmes como o Star Trek (2009) - J. J. Abrams - e com carimbo de Steven Spielberg, chega às salas Portuguesas o Super 8.

No meio da rodagem do filme que Charles (Riley Griffths) quer submeter para um festival de cinema para jovens realizadores (um delicioso filme de zombies), Joe Lamb (Joel Courtney), Alice Dainard (Elle Fanning) e companhia deparam-se com um desastroso acidente de comboio que dispersa um clima de mistério pela pacata cidade de Lilian.

Não tendo visto o trailer deste filmes antes de o ver, apenas sabia por alto do que se tratava e de que tinha o cunho pessoal de Steven Spielberg. Fiquei bem surpreendido, dado que Super 8 sure como um excelente misto de humor ("Production Value!" será, seguramente, uma das minhas falas preferidas do ano) e de aventura!

Se bem que o filme é relativamente previsível e que não traz nada de propriamente inovador para a mesa, Super 8 cumpre o seu principal objectivo na perfeição: o de entreter. Excelentes efeitos especiais, um elenco extremamente sólido (surpreendente, tendo em conta a tenra idade dos principais actores neste filme) e uma história com coração.
P.S: Não saiam assim que os créditos comecem a rolar. A "curta" que lá está é um dos highlights do filme. Eu pagaria para vê-la! Ahah.

domingo, 24 de julho de 2011

Straw Dogs (1971, Peckinpah)


Em primeiro lugar quero apenas dizer que o poster acima é simplesmente fantástico.

Uns anos antes o filme Bonnie and Clyde (1967, Penn) tinha aberto os portões da violência, mudando profundamente o panorama cinematográfico norte-americano na forma de como é que os actos humanos mais agressivos eram retratados no grande ecrã. Talvez um dos maiores adeptos desta mudança de paradigma tenha sido Sam Peckinpah: Em 1969 realizou o western The Wild Bunch que tornou-se, em parte, notório pelo seu épico final que demonstra um verdadeiro massacre. Dois anos depois, realiza este Straw Dogs, um dos mais marcantes e controversos (o lançamento deste filme em vídeo/DVD foi banido em Inglaterra entre 1984 e 2002) filmes da década de 70.


David Sumner (Dustin Hoffman) é um matemático que decide mudar-se para a Inglaterra rural, juntamente com a sua mulher, Amy (Susan George), para obter aquela paz de espírito que lhe permitisse terminar o livro que estava a escrever. Parte da razão desta mudança prende-se com o desejo de se afastarem da onda de violência que assolava o solo Americano. Contudo, será que a remota aldeia britânica terá sido a melhor escolha do casal?

O início do filme é portador de uma atmosfera, relativamente, creepy. Uma banda sonora misteriosa assume o pano de fundo enquanto a câmara paira sobre um conjunto de crianças a brincarem num cemitério. Há medida que as personagens vão sendo introduzidas, todo o ambiente começa a tornar-se cada vez mais negro, mais misterioso, mais incerto. 

O estilo de Peckinpah é bastante visível ao longo do filme todo, e a tensão vai escalando progressivamente culminando num clímax verdadeiramente intenso. Apenas consigo imaginar o profundo impacto que este filme deve ter tido na sua audiência aquando do momento de lançamento. Ainda numa fase de «adaptação», em que o melodrama que acompanhava os filmes até à meada dos anos 60 começava a desvanecer, dando lugar a filmes cada vez mais realistas e enérgicos, será que os espectadores estavam realmente preparados para o que iriam ver?


À semelhança de The Wild Bunch, o final de Straw Dogs surge como um resultado natural do desenrolar da narrativa e como tal todo o efeito «choque» que possa provocar é justificado. É um filme que apesar da sua idade, mantém-se relativamente fresco pelo que pode admitir-se que passou no teste do tempo.

Fiquei a saber, também que será lançado um remake ainda este ano, com estreia marcada nos EUA em Setembro. Hm.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Take Shelter (2011, Nichols)


Finalmente encontro mais um filme que desperta em mim um grande interesse este ano. O trailer de Take Shelter, o segundo filme de Jeff Nichols, é enigmático e misterioso. Parece que iremos estar na presença de um thriller psicológico um tanto diferente dos que por aí andam. As imagens do trailer, só por si, são razão suficiente para me levarem a uma sala de cinema quando estrear. Se a banda sonora for remotamente parecida com a que ouvimos neste trailer, então deverei garantir a minha presença na sala de cinema no fim-de-semana de estreia. Se o desempenho do Michael Shannon for metade da sua interpretação em Shotgun Stories (também ele de Jeff Nichols), então o dia de estreia que me aguarde.

Já são dois filmes para ver obrigatoriamente este ano (o outro é o Melancholia do Lars Von Trier - nem vou muito na onda dele, mas veremos).
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