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quinta-feira, 6 de março de 2014
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Sen To Chihiro no Kamikakuchi [Spirited Away] (2001, Miyazaki)
Irreverente. Extremamente
criativo e genial. Estas são apenas algumas palavras para descrever o
fantástico universo criado por Miyazaki. Também é um forte testemunho de toda a
potencialidade que a Animação pode trazer à grande tela. Se Alfred Hitchcock está como Mestre para o Thriller/Suspense, Miyazaki está seguramente como Mestre para a Animação.
Spirited Away é, muito possivelmente, o expoente máximo de uma
carreira assinalada com o fulgor da imaginação. Com títulos como Princess
Mononoke e Howl’s Moving Castle
no seu reportório, Spirited Away consegue
elevar-se como um absoluto registo de excelência, no que concerne à animação e à forma de contar histórias (e se não se assume como a melhor animação de todos os tempos, anda lá perto).
O nível de detalhe que em Spirited Away é conferido, o humor que
nele está presente e a elegância com que a narrativa se desenrola não fazem
deste filme apenas a viagem de Chihiro (como o título Português sugere), mas
também a própria viagem do espectador. É um veículo que nos leva a um mundo
onde o inimaginável se concretiza por entre as mais fantásticas figuras e entre
as mais vibrantes cores. É uma delícia de filme.
9.5/10.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Holy Motors (2012, Carax)
Deu que falar no Festival de
Cannes deste ano e foi afigurando-se como um dos filmes que mais antecipava. Será
Holy Motors um filme que primeiro se
estranha e depois entranha-se? Acho que se estranha e continua a estranhar-se,
mas que em breve entranhar-se-á. De qualquer forma, é um filme bastante único
nem que seja pela sua bizarra natureza.
Seguimos um
dia na vida de Oscar (Denis Lavant) que, à medida que se desloca numa limousine
por toda a cidade de Paris, vai cumprindo a sua agenda. Um actor que contracena
fora dos palcos e longe das luzes da ribalta. Uma idosa pedinte? Check. Um
artista de motion-capture? Check. Um “ser”
que habita os esgotos da cidade das luzes e que rapta uma supermodelo? Check. E
por aí adiante. Existirão muitos poucos papés que Oscar não consiga interpretar.
E aqui, é de se tirar o chapéu à interpretação de Lavant, que incorpora de uma
forma absolutamente natural todas as personagens que assume, ainda que com a
ajuda de uma irrepreensível maquilhagem.
Será Holy Motors um filme que comenta o
panorama fragmentado em que vivemos hoje, apesar de sermos portadores de
tecnologias que cada vez mais nos aproximam? Será Holy Motors um filme que apenas retrata uma alternativa vida de um
actor num futuro (não tão) distante? Será Holy
Motors um filme que critica o avanço tecnológico e acusa-o de tornar a vida
mundana e monótona? Qualquer que seja a interpretação que se retire do mais
recente trabalho de Carax, ou mesmo que não se retire qualquer conteúdo do
filme, Holy Motors vale a pena ser
experienciado, por jogar em grande parte com as sensações. Isso, e porque tem
chimpanzés e limousines que falam. É algo que revisitarei sem grandes dúvidas.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
The Prestige (2006, Nolan)
“Are you watching closely?”
Dois ilusionistas presos nas suas próprias ilusões formam uma rivalidade que lhes sairá cara após um trágico acidente num dos espectáculos em que colaboravam. Depois disso, a obsessão que têm em descobrir os segredos que estão por detrás dos truques do seu rival torna-se maior que a própria vida.
The Prestige assinala a quinta longa metragem de Christopher Nolan e assinala também um dos filmes mais esteticamente apelativos de 2006, devido aos seus valores de produção que enchem o olho do espectador (excelente fotografia por parte de Wally Pfister) e com um ritmo que mantém o interesse no filme constantemente nivelado. A parelha Bale/Jackman lidera o ecrã eficazmente, ainda que por momentos seja Rebecca Hall quem rouba as luzes da ribalta.
Foi a primeira vez que vi o filme desde que estreou em 2006. Lembro-me de me ter sentido arrebatado por ele. Revisitando-o meia dúzia de anos depois posso dizer que esse impacto perdeu-se. Talvez isso tenha acontecido pelo facto de The Prestige se debruçar (em demasia) no seu big twist. Será que daqui a uns tempos, se voltar a vê-lo, irei ter outra vez aquela sensação de espanto que tive quando o vi pela primeiríssima vez? Ou será que a partir daqui a minha apreciação irá pelo cano abaixo? Esperemos para ver.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
The Artist (2011, Hazanavicius)
Uma viagem ao passado. O regresso a uma altura em que uma imagem, literalmente, valia mais que mil palavras. A uma altura em que o diálogo se esconde atrás da grande tela e em que as expressões faciais e corporais assumem o papel principal. A uma altura em que o preto e branco era o rei do grande ecrã. Um filme da década de 1920 em pleno 2012. É essa a viagem que The Artist oferece, pela habilidosa mão de Michel Hazanavicius.
Uma ode aos primórdios tempos do Cinema. O ano é 1927 e George Valentin (Jean DuJardin) é uma das maiores estrelas do cinema mudo. Com o aparecimento do cinema falado, George prontamente rejeita a noção de que será algo permanente, acreditando que é apenas uma fase. Peppy Miller (Bérénice Bejo) é uma aspirante actriz, destinada a conquistar o Mundo. E enquanto Peppy se torna a face da transição do mudo para o falado, George vê a sua outrora ofuscante fama a descender aos fundos de um negro poço.
Deixando a sua marca no festival de Cannes e assumindo-se como um dos grandes favoritos na corrida aos Óscares, The Artist é inovador sem necessariamente o ser. Utiliza técnicas que constituiam a norma décadas atrás e aplica-as no presente, e só por esse simples facto diferencia-se automaticamente dos restantes filmes que por aí vão estreando (será que o The Good German, do George Clooney, beneficiaria da mesma popularidade que The Artist desfruta caso fosse mudo?).
Ainda que ao nível do argumento a obra de Hazanavicius também não seja extremamente original – The Rise and Fall de uma estrela, a insistente obstrução à mudança, a ascensão meteórica de uma outra estrela são alguns pontos que lembram certas personagens como Norma Desmond (Sunset Blvd., 1950) ou Margo Channing (All About Eve, 1950) – o charme deste pequeno filme é inegável, o que torna a sua visualização extremamente agradável.
Os aspectos técnicos são irrepreensíveis, a banda sonora captura a verdadeira essência do filme e a dupla DuJardin/Bejo evoca toda a classe dos actores de antigamente. Até o cão contribui para a elevada qualidade do resultado final. Se recomendo o filme? With pleasure.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Headhunters (2011, Tyldum)
É certo e sabido que a Escandinávia já deixou a sua marca no mundo do Cinema, em grande parte graças ao papel da Suécia neste panorama. Ingmar Bergman foi (e ainda é) um dos nomes mais proeminentes da sétima arte. Esse país nórdico projectou ainda nomes como Ingrid Bergman, Max von Sydow e Liv Ullman (estes dois últimos eram frequentes colaboradores de Ingmar Bergman, tendo aparecido em inúmeros filmes do realizador sueco).
A Suécia continua com um papel relativamente activo no cinema mundial, com filmes como o Maria Larsson’s Everlasting Memories e a adaptação da célebre trilogia de Stieg Larsson, a Dinamarca deu-nos o polémico Lars Von Trier. A Finlândia brinda-nos com.... Nokias. E no meio disto tudo, a Noruega vai se assumindo sorrateiramente como um dos países a ter debaixo de olho. Quer sejam filmes que lidem com Trolls (Trollhunter) ou quer sejam filmes que demonstrem como é que a droga afecta e aliena um comum cidadão (Oslo, 31 August.), a verdade é que com este Headhunters, fico com 3 hits noruegueses e 0 misses. Excusado será dizer que largamente antecipo o que aí vier do Norte da Europa.
Já com um remake norte-americano em vista para 2014 (?), Headhunters debruça-se sobre Roger Brown (Aksel Hennie) – um caçador de talentos para grandes empresas com grande sucesso, que marginalmente rouba valiosas obras de artes para conseguir suportar o seu dispendioso nível de vida. No momento em que tem encontra Clas Greve (Nikolaj Coster-Waldau, mais conhecido pelo seu papel em Game of Thrones como Jaime Lannister), um potencial candidato para ocupar a chefia de uma grande empresa tecnológica, fica a saber que este tem na sua posse um quadro com um valor astronómico, e naturalmente, tenta roubá-lo. Contudo nem tudo corre conforme planeado, e rapidamente os papéis de caçador e presa alteram-se.
Talvez por ser um filme que contenha a sua quota-parte de twists, e por aliar uma determinada quantia de humor em vários pontos-chave do filme (isto já tinha sido observado em TrollHunter) ao seu ritmo rápido, não consegui ver este filme sem pensar várias vezes na obra de Guy Ritchie, Snatch. São contextos diferentes, e histórias diferentes também, mas há algo neste filme que me faz crer que tanto o filme de Morten Tyldum e de Guy Ritchie se complementam bem, e que serviriam para uma excelente sessão dupla para quem gosta deste tipo de thrillers.
É um filme esperto, com estilo e capaz de prender a atenção do espectador, com um elenco sólido, uma montagem concisa e uma história envolvente. Ainda que ache a parte final, que explica ao pormenor o porquê de as coisas terem acontecido da forma como aconteceram, um pouco desnecessária (talvez a teria incluído como um extra no DVD, ou algo do género, mas de qualquer forma), não são os últimos minutos do filme que invalidam tudo o que aconteceu antes, por isso, estou ok com isso.
domingo, 4 de dezembro de 2011
The Curious Case of Benjamin Button (2008, Fincher)
Um precioso
filme. O épico de David Fincher conta a história de um homem que nasceu sob
circunstâncias invulgares. É a história de um homem que rejuvenesce à medida
que todos os que o rodeiam envelhecem. Um elegante exercício que cumpre
perfeitamente aquele que deveria ser um dos principais objectivos de qualquer
filme: O de contar uma boa história.
Adaptado do
conto de F. Scott Fitzgerald com o mesmo nome, a delicada narrativa
desenrola-se num ritmo muito próprio sem nunca descurar as suas personagens nem
a importância de cada cena que é retratada. O Tempo é uma inabalável força,
capaz de moldar momentos e personalidades. Capaz de criar e de destruir. E
enquanto uns são atingidos por relâmpagos 7 vezes durante um vida, ou enquanto
uns dançam, David Fincher cria aquele que considero ser o melhor
filme de 2008 (não muito distanciado do primoroso ENTRE LES MURS de Laurent
Cantent e do esplêndido documentário ENCOUNTERS AT THE END OF THE WORLD de
Werner Herzog. Juro que nunca irei perceber como é que num ano destes algo como
o SLUMDOG MILLIONAIRE limpa tudo o que é prémio. Foi simplesmente o Flavour of the month. Ugh).
Devo dizer que
não via o THE CURIOUS CASE OF
BENJAMIN BUTTON desde que esteve em exibição. Já nessa altura tinha ficado
extremamente satisfeito com o resultado final daquele que foi um dos meus
filmes mais antecipados de então. Lembro-me de ter achado que a sua duração era
ligeiramente excessiva e que um pequeno corte ali e outro acolá apenas o
benificiariam. Revisitei-o há muito pouco tempo e a minha apreciação por ele
apenas aumentou. O que anteriormente me pareceu ser longo demais agora parece-me
perfeito na sua duração. A sublime banda sonora de Alexandre Desplat enaltece a
beleza das mais variadas cenas e complementa o filme de uma forma requintada.
Assenta-lhe que nem uma luva.
Todos os momentos
que se passam em Murmansk são capazes de ser os meus preferidos: A fotografia
está particularmente bem definida, quase como se projectasse uma misteriosa e
sedutora aura sobre aquele hotel, onde dois indivíduos se encontram todas as
noites e onde os dissabores da vida são explanados como inevitáveis
consequências do tempo. Neste curto segmento, Tilda Swinton interpreta a sua personagem de uma maneira tão effortless fazendo realçar uma grande
humanidade na sua personagem. Surgem, também, aqueles que considero serem os
momentos mais fortes de Brad Pitt enquanto Benjamin Button.
“For what it's worth: it's never too
late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time
limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no
rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make
the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel
things you never felt before. I hope you meet people with a different point of
view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I
hope you have the strength to start all over again.”
Um clássico
instantâneo? Apenas o tempo dirá. Creio que sofreu um pouco com as acusações de
ser um FORREST GUMP 2. São acusações que pouco me dizem. Num ambiente onde tudo
se recicla o importante é que o resultado final seja sólido e coerente. E a meu
ver, temos aqui um filme muito peculiar, muito próprio e com um tremendo
coração.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Senna (2010, Kapadia)
E do Reino Unido
chega um documentário sobre aquele que por muitos é considerado um dos maiores
pilotos de Fórmula 1 de todos os tempos. Lembrado quer pelas suas fantásticas
corridas, quer pelo seu infortuno acidente que lhe ceifou a vida no Grande
Prémio de San Marino, Ayrton Senna deixou uma profunda marca no mundo dos
desportos motorizados, na vida de inúmeros fãs da modalidade, na vida de
milhares de Brasileiros que acompanharam euforicamente a sua (breve) carreira e
na sua comunidade.
Senna é um íntimo olhar sobre a vida do
mediático piloto e também sobre a evolução da própria Fórmula 1. É um
documentário fascinante. Quer esteja a abordar a temperamental relação entre
Senna e Alain Prost ou a crescente forma de como é que a Fórmula 1 começou a
ser cada vez mais gerida com base em politiquices, Senna oferece aos espectadores conteúdo extremamente rico,
extremamente bem estruturado e extremamente bem desenvolvido.
Fazendo uma
comparação com a época retratada no filme de Kapadia com o presente, a evolução
na segurança deste desporto é simplesmente notável. Só de pensar no aparatoso
acidente do piloto polaco Robert Kubica no Grande Prémio do Canadá há uns 3/4
anos atrás fico arrepiado, de tão violento que foi o embate. Felizmente, saiu
de lá ileso. Infelizmente e anos antes, a ocorrência de acidentes semelhantes (com
resultados muito menos felizes) foi necessária para garantir essa evolução.
domingo, 2 de outubro de 2011
Moulin Rouge! (2001, Luhrmann)
Spectacular Spectacular é o nome da peça que irá revolucionar o
submundo boémio de Paris e que irá tornar Satine (Nicole Kidman), a cortesã
mais cobiçada do Moulin Rouge, numa
das grandes actrizes da Europa. “So
exciting it will run for 50 years” dizem – ou melhor, cantam – os protagonistas
a certa altura.
E, efectivamente, Moulin Rouge! é um filme vibrante,
enérgico e excitante. Nesse sentido, o filme de Baz Luhrmann afigura-se como um
dos mais inovadores e refrescantes filmes dos últimos 15 anos, ainda que a
história – mais concretamente, o triângulo amoroso – caia em terreno demasiado
melodramático. Com o seu irreverente estilo e uma montagem hiper-frenética (e
aqui reside um dos aspectos mais fragilizados do filme: tanto corte na imagem,
especialmente durante os primeiros 20 minutos, poderá incitar um decréscimo da
atenção uma vez que o filme apresenta tantos estímulos em espaços tão curtos de
tempo... o cérebro poderá ter alguma dificuldade em processar a quantidade de
informação apresentada em 2 ou 3 segundos), Moulin
Rouge! resulta na medida em que toda a sua excessividade se adequa que nem
uma luva à sua história bigger than life.
A caracterização das personagens
secundárias, cada uma mais excêntrica que a outra servem também o propósito de
auxiliar o desenrolar do romance que Christian (Ewan McGregor) e Satine vivem –
e aqui, Jim Broadbent no papel de Harold Zidler é Rei.
Tendo dito tudo isto, o charme
deste filme advém, em grande parte, da química partilhada pelos dois actores
principais. McGregor e Kidman emanam uma certa inocência reminiscente das
grandes estrelas de cinema de outrora, e mergulham de tal forma na identidade
das suas personagens que conseguem trazer uma grande credibilidade a quem são,
ao que sentem e à sua relação. Um par extremamente carismático.
Com Paris como pano de fundo, Moulin Rouge! surge como um verdadeiro, opulento,
ambicioso e arrojado festim para os sentidos dando lugar ao nascimento de um
dos mais marcantes romances dos últimos anos. Spectacular, Spectacular.
domingo, 25 de setembro de 2011
Thor (2011, Branagh)
Foram vários os pensamentos que
me passaram pela cabeça aquando da nomeação de Kenneth Branagh para realizador
do filme Thor. Tendo dirigido filmes
como Much Ado About Nothing (1993) e Hamlet (1996) posso dizer que fiquei
surpreendido por vê-lo a abraçar um projecto que se afasta do seu habitual
registo.
Thor surge, então, como sendo apenas mais um filme no meio desta
vaga de adaptações de bandas-desenhadas de super-heróis ao grande ecrã e pouco
distingue-se dos demais. Nesse sentido, só consigo estar relativamente
desiludido pelo facto de Branagh não ter conseguido trazer algo de novo para
cima da mesa.
Thor (Chirs Hemsworth) é banido
de Asgard, pelo seu pai Odin (Anthony Hopkins) por ter reacendido e incitado
uma guerra com um outro reino. Assim, ele é enviado para a Terra, you know, para reflectir sobre o que
fez, para amadurecer, para encontrar o seu próprio caminho para se tornar num
ser melhor, enfim, para aprender a não ser mimado. Aqui ele conhece Jane
(Natalie Portman) e o resto é história. Loki (Tom Hiddleston), irmão de Thor,
ascende (ainda que temporariamente) ao trono de Asgard após Odin não ser capaz
de continuar a desempenhar as suas funções. No meio de revelações, Loki
desenvolve o seu plano para eliminar os Frost
Giants e assim garantir de uma vez por toda a harmonia e paz entre os dois
reinos – ou assim pensa ele.
À semelhança de outros
blockbusters, o argumento peca pela sua falta de desenvolvimento – quer das
suas próprias personagens, quer da própria narrativa. Será esta exposição de
eventos suficiente para conseguir definir incisivamente os motivos das
personagens? Será que tudo o que é retratado no filme suficiente para definir
as relações existentes entre as diversas figuras presentes na acção? Acho que
não. É tudo muito superficialmente abordado, o que deixa margem para muitos “mas?”
e muitos “porquês?”.
Contudo, os efeitos especiais e a
fotografia são bastante sólidos e pouco mais tenho a acrescentar no que
concerne aos aspectos técnicos do filme. Na frente das interpretações, Chris
Hemsworth é portador de algum carisma, pelo que consegue prender a audiência à
sua personagem – apesar de a mesma ser muito pouco desenvolvida – e o Anthony
Hopkins já teve melhores dias. Quanto à Natalie Portman? É interessante ver
como uma actriz consegue ir de um Cisne
Negro para isto num tão curto espaço de tempo.
Resumindo, é o Thor um desperdício de 2 horas? Não,
necessariamente. É um filme memorável? Longe disso. É um filme que entretem?
Diria que sim.
domingo, 4 de setembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Inside Job (2010, Ferguson)
Um documentário que põe as cartas na mesa e que explica de uma forma incisiva as orgiens que estão por detrás da grande crise financeira que vivemos actualmente, despoletada pela falência do grande banco de investimento Lehman Brothers. Pelo meu dinheiro (no pun intended), Inside Job afigura-se como o melhor filme que vi de 2010.
Criatividade. Algo que procuramos nas mais diversas áreas das nossas vidas. É algo que se deseja, pois cria distinção. O documentário de Charles Ferguson reitera a ideia que uma vez ouvi – a de que a criatividade deverá ser um dos elementos impulsionadores num negócio: quer seja no desenvolvimento de produtos e serviços, de campanhas de marketing, de estratégias de operações que pretendam maximizar a utilidade de todos os recursos disponíveis. Contudo, esta ideologia pode tornar-se perigosamente desastrosa no mundo financeiro, causando terríveis repercusões macroeconómicas.
É um filme que suscita angústia e frustração perante a avareza desmedida humana - "como se ganhar milhões por ano não fosse suficiente, então vamos lá fazer uns esquemas para ganhar ainda mais. O quê? O outro ganhou 10 milhões de dólares a mais que eu? Inadmissível, o que posso fazer para ganhar ainda mais e consolidar a minha importância neste meio? Já sei, vou causar o despedimento e o desalojamento de milhões de pessoas". Enfim.
O papel das agências de rating nesta crise é, então, extremamente cómica. Quando inquiridos sobre o facto das suas agências classificarem determinados investimentos como AAA (quando na verdade não passavam de lixo), os representantes máximos, na altura, da Moody's, da Standard & Poor's e da Fitch, limitam-se a referir que a classificação que atribuem aos investimentos é apenas a opinião deles e que o mercado não se deveria reger por elas. lol.
A contaminação chega ainda ao mundo académico, onde as pesquisas de figuras proeminentes do universo económico são subornadas para reflectirem resultados que melhor agradem aos principais players neste sector.
É algo verdadeiramente assustador.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Super 8 (2011, Abrams)
Do produtor de séries como Lost e realizador de filmes como o Star Trek (2009) - J. J. Abrams - e com carimbo de Steven Spielberg, chega às salas Portuguesas o Super 8.
No meio da rodagem do filme que Charles (Riley Griffths) quer submeter para um festival de cinema para jovens realizadores (um delicioso filme de zombies), Joe Lamb (Joel Courtney), Alice Dainard (Elle Fanning) e companhia deparam-se com um desastroso acidente de comboio que dispersa um clima de mistério pela pacata cidade de Lilian.
Não tendo visto o trailer deste filmes antes de o ver, apenas sabia por alto do que se tratava e de que tinha o cunho pessoal de Steven Spielberg. Fiquei bem surpreendido, dado que Super 8 sure como um excelente misto de humor ("Production Value!" será, seguramente, uma das minhas falas preferidas do ano) e de aventura!
Se bem que o filme é relativamente previsível e que não traz nada de propriamente inovador para a mesa, Super 8 cumpre o seu principal objectivo na perfeição: o de entreter. Excelentes efeitos especiais, um elenco extremamente sólido (surpreendente, tendo em conta a tenra idade dos principais actores neste filme) e uma história com coração.
P.S: Não saiam assim que os créditos comecem a rolar. A "curta" que lá está é um dos highlights do filme. Eu pagaria para vê-la! Ahah.
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